José Tavares, cunhado da portuguesa de origem cabo-verdiana de 29 anos, assassinada no passado domingo na cidade de Toulouse, no sul de França, revelou ao programa SOS 24 da TVI24 que Felisberto Semedo, companheiro da vítima, lhe confidenciou ter matado Mónica Duarte.

Ele me disse: sangue frio. Matei a Mónica e estou a caminho de Paris para matar uma outra pessoa. Vou matar mais outra pessoa", contou o cunhado, acrescentando que "a conversa no telemóvel, está tudo gravado. Já estive na Judiciária e não é conversa fiada".

Falando ao telefone desde Toulouse, onde também reside, José Tavares relatou os acontecimentos ocorridos na noite do passado sábado, quando Mónica e Felisberto, residentes num pequeno apartamento no último andar do número 17, da rua Vincent-Van-Gogh, no bairro Bellefontaine.

O Bruno e a namorada estiveram com eles sábado à noite. O Felisberto chamou-me e eu disse que não podia ir, porque já estava de pijama", conta, relatando o convite para se reunirem e jogarem às cartas.

De acordo com a versão do cunhado de Mónica Duarte, o irmão desta, Bruno, terá estado na casa dela até "à meia-noite e pouco".

Voltaram para casa. Vinte ou trinta minutos depois, a Mónica está a ligar ao Bruno, a dizer-lhe para "vir rápido, para vir rápido. Assim que o Bruno começa a falar, parece que ele lhe tirou o telemóvel e ele deixou de ouvir a Mónica", conta o cunhado, José Tavares.

Depois, na madrugada, o cunhado relata ter voltado a casa da vítima com familiares, incluindo o irmão dela, Bruno: "Tocámos à campainha, tocámos, tocámos e nada. Não respondeu. Ligámos para o telemóvel e nada".

Vim para casa. O Bruno voltou lá sozinho, tocou à campainha e ele respondeu. Disse que estava tudo bem, que não precisava de se preocupar", conta o cunhado.

Manhã seguinte

José Tavares confessa que as brigas entre o casal Felisberto e Mónica aconteciam, por vezes: "Antigamente, sim. Mas, agora não".

De manhã, ele está-me a ligar às 8:18, a dizer para eu ir buscar a Yasmine [filha do casal com seis anos]. Eu, naquela confusão da noite, pensei já voltaram a brigar e então ele não quer que a Yasmine visse", conta José Tavares.

Com Bruno, irmão da vítima, e outros familiares, o cunhado relata que chegaram ao prédio. Tinham chamado os bombeiros

Chamaram os bombeiros, que "não entraram pela porta. Eles é que vieram com Yasmine ao colo, toda coberta, para não ver a mãe no chão", relata José Tavares, que entretanto conseguiu telefonar a Felisberto.

Eu liguei para ele outra vez, a perguntar aflito onde está a Mónica? E ele me disse, com todas as letras, que matou a Mónica e que eu tinha de fazer o possível para tirar a Yasmine de lá", contou o cunhado.

Ele me disse que matou e ia matar outra pessoa. Isto era só para nos desviar a atenção, porque ele já estava a chegar a Portugal. O que me leva a pensar agora. Ele matou e correu para Portugal, para ter a proteção da mãezinha e do paizinho, caso estivesse na prisão", relatou o cunhado José Tavares, a cuja guarda está agora a filha do casal, uma menina de seis anos.

Em Sacavém, nos arredores de Lisboa, Felisberto, o presumível homicida entregou-se à polícia. A sua mãe já relatou a versão de que o filho, de 30 anos, terá sido atacado por Mónica, numa noite em que teria confirmado que a mulher teria um caso extraconjugal.