No mar da morte, o Mediterrâneo, já perderam a vida pelo menos 200 crianças desde o início deste ano, que tentavam chegar à costa italiana. É este o último balanço da UNICEF, que sublinha como a travessia entre o Norte de África e Itália é "perigosa".

Crianças não são números, mas a média aqui é importante: contas feitas, mais de uma criança por dia morreu no Mediterrâneo desde janeiro.

Estes dados actualizados surgem no momento em que os líderes do G7 se reúnem na Sicília, um dos pontos nevrálgicos da crise de refugiados e migrantes na Europa.

A estimativa é que, entre 1 de janeiro e 23 de maio, mais de 45.000 refugiados e migrantes chegaram à Itália por mar – mais 44% face a igual período do ano passado.

Entre estas pessoas, estavam cerca de 5.500 crianças não acompanhadas e separadas, mais 22%. Estes menores a viajar sozinhos representam cerca de 92% de todas as crianças que chegam a Itália via Mediterrâneo Central.

Mais crianças estão arriscar a rota do Mediterrâneo Central para chegar a Itália, o que significa que mais crianças estão a morrer para lá chegar. No último ano, chegaram a Itália 26.000 crianças não acompanhadas e separadas, o maior número de sempre. Mas se as tendências actuais se mantiverem, em 2017 serão muitas mais. É um recorde do qual não nos podemos orgulhar, mas antes sinal de um falhanço colectivo em garantir a segurança e o bem-estar das crianças refugiadas e migrantes.”

Palavras do director executivo adjunto da UNICEF, Justin Forsyth, que deu ainda conta de que pelo menos 36.000 dos refugiados e migrantes resgatados desde Janeiro foram levados para a Sicília, precisamente onde se realiza a Cimeira do G7.

“A Sicília representa um símbolo de esperança para as crianças desenraizadas que procuram uma vida melhor, mas é também o ponto de chegada de uma viagem extremamente perigosa que já reclamou a vida de muitas crianças pelo caminho", sublinhou.

É por isso apropriado que os líderes do G7 que se reúnem num local tão carregado de simbolismo e significado para aquela que se tornou numa das maiores crises dos nossos tempos. Este é o momento de mostrarem uma verdadeira liderança mediante a adopção de um plano com medidas concretas que para ajudar a proteger as crianças refugiadas e migrantes.”

A UNICEF lançou entretanto uma campanha em que apela às pessoas que mostrem a sua solidariedade para com as crianças refugiadas e migrantes desenraizadas pela guerra, violência e pobreza. A hashtag é #UmaCriançaÉumaCriança/ #AChildIsAChild”.

Há já um outdoor no centro de Taormina com uma mensagem para as altas instâncias: ‘Líderes do G7, protejam as crianças migrantes e refugiadas’. Uma mensagem apoiada já por mais de dois milhões de pessoas nas redes sociais.