O Exército reformulou o processo de exames médicos aos candidatos aos cursos de Comandos, na sequência das recomendações apresentadas pela Inspeção Técnica Extraordinária (ITE) e efetuada pela Inspeção Geral do Exército (IGE), na sequência da morte de dois candidatos no curso 127º. Assim, de acordo com comunicado emitido pelo Exército, os exames médicos aos candidatos vão ser mais apertados nas provas para ingresso nas Tropas Especiais.

O processo vai passar a decorrer em três fases, diferenciadas pela complexidade dos exames efetuados. Na primeira, todos os candidatos aos Cursos de Tropas Especiais são sujeitos a uma Avaliação Médica Pré-Participação (AMPP), nas Unidades de Saúde do Exército. Numa segunda fase há uma "avaliação mais aprofundada por médicos com formação de medicina do exercício da área do problema de saúde em questão (cardiologia, ortopedia, etc.) para eventual realização de outros exames complementares específicos e posterior decisão sobre a aptidão para a frequência do curso".

Está ainda prevista uma terceira fase, para escrutinar todas as situações que continuem a suscitar dúvidas relativas à aptidão do candidato. Nesta fase, os candidatos são avaliados em Junta Militar de Aptidão.

Nestas três fases, estão previstos três níveis, diferenciados pela tipologia de instalações de saúde envolvidas.

No Nível 1, a realizar na Fase 1 nas Unidades de Saúde do Exército, consta de um Questionário de Saúde, uma Avaliação Biométrica, Exames Complementares Básicos e uma consulta presencial com um médico”, informa o comunicado do Exército.

O Nível 2, a realizar na Fase 2 e/ou Fase 3 nos Centros de Saúde do Exército, consiste numa Avaliação em Medicina do Exercício, uma Avaliação Psiquiátrica, Exames Complementares Adicionais e uma Junta Militar de Aptidão. Por fim, num terceiro nível, também na fase 2 ou 3, “incluirá uma avaliação em especialidades hospitalares, em Exames Complementares Especiais e, por fim, na avaliação do candidato por uma Junta Hospitalar de Inspeção”.

Curso pode ser retomado em abril

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, afirmou, nesta quarta-feira, que o Exército deverá retomar o curso da especialidade de Comando a partir de abril, depois de aprovada uma "nova abordagem do processo de treino e formação".

Todos os prazos foram respeitados, nos tempos previamente determinados. Significa que quando as medidas hoje anunciadas tiverem sido executadas, nada obstará, em princípio, a que se retomem os cursos de Comandos, coisa que eu prevejo que venha a ocorrer a partir de abril", apontou, à saída da audição na comissão parlamentar de Defesa.

Azeredo Lopes destacou "pela positiva" que, em primeiro lugar, a morte de dois formandos no 127.º curso, em 2016, "não ia ficar sem resposta", decorrendo ainda processos judiciais.

Em segundo lugar, acrescentou, o Exército mandou suspender a realização de novos cursos para avaliar "o que pudesse ter corrido mal em termos de procedimentos", que passou por "uma avaliação ao processo de formação" e à necessidade de "corrigir o referencial que determina os processos de formação".

Se tudo correr como até agora, normalmente, a partir de abril será possível retomar os cursos de Comandos agora com esta nova abordagem do processo de treino e formação", reforçou.

Na sequência da morte dos dois formandos foi ordenada uma inspeção técnica extraordinária ao curso de comandos, que decorreu entre setembro e novembro, cujo relatório foi concluído a 5 de dezembro.

A realização de um novo curso, o 128.º, exigirá uma ordem nesse sentido por parte do Chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, que suspendeu novos cursos até à conclusão das medidas previstas na sequência daqueles relatórios.