2019 foi um ano negro nos crimes de violência doméstica. Este ano, o crime de violência doméstica já fez mais de 30 vítimas mortais: uma criança, 26 mulheres e sete homens. 

Este ano, o número de número de presos preventivos por violência doméstica aumentou 72%, o que significa que os juízes estão a aplicar com mais frequência as medidas de coação mais gravosas aos suspeitos.

Mas o que tem sido feito, parece ainda não ser suficiente, uma vez que os registos deste tipo de crime têm aumentado quando comparados com o ano passado.

O ano começou negro, com cinco mortes em janeiro. A 5 de fevereiro aconteceria o crime que chocaria o país como nunca: Lara e a avó, Helena, seriam assassinadas pelo pai da menina de dois anos.

O suspeito, com cerca de 36 anos, devia ter entregado a menina à mãe na manhã do crime. Mas, à chegada da casa dos ex-sogros, onde deveria deixar a filha, esfaqueou Helena até à morte e fugiu com Lara para parte incerta.

Só no dia seguinte, por volta das 8:25, o homem ligou para o INEM a dizer que a filha tinha morrido e que se iria suicidar de seguida. No pára-brisas do carro, em Corroios, onde o corpo da menina foi encontrado sem sinais de violência, deixou uma carta. 

O corpo do suspeito viria a ser encontrado horas mais tarde, em Castanheira de Pêra, a cerca de 200 quilómetros do local onde foi localizado o veículo e o cadáver da criança.

Com este duplo homicídio, Helena e Lara tornaram-se na sétima e oitava vítimas mortais do crime que, só em 2019, matou mais de 30 pessoas. 

A cada mês, a lista de vítimas tinha de ser atualizada e, em setembro, não foi diferente. Em Braga, em frente ao tribunal da cidade, Gabriela, de 46 anos, foi esfaqueada pelo marido.

O suspeito, funcionário da Bragaparques, com 47 anos, entregou-se à polícia. Ao entrar na esquadra confessou ter matado a mulher e entregou a arma do crime, uma navalha. Ficou detido.

A morte de Gabriela foi a gota de água para um grupo de mulheres de Braga que movimento para alertar para a problemática da violência doméstica em Portugal. 

No total, este tipo de crime fez 35 vítimas que têm um nome, uma cara, mas já não têm uma voz. Na maioria dos casos, foram mortas por companheiros ou ex-companheiros. As agressões, muitas vezes denunciadas, já duravam há meses. Dos agressores, a maioria suicidou-se depois de cometer o crime. Nos últimos oito anos, a violência doméstica deixou mais de mil crianças órfãs em Portugal e mais de 13 mil já sentiram na pele este crime.

A violência doméstica é um crime com números preocupantes em Portugal. O STOP Violência da TVI24 mostra o retrato do país e quer ser um guia para ajudar a acabar com este flagelo.

Andreia Miranda