Cerca de 3 mil motociclistas protestam no Porto contra inspeções - TVI

Cerca de 3 mil motociclistas protestam no Porto contra inspeções

  • Agência Lusa
  • HCL
  • 16 out 2021, 17:13

Para este sábado estão marcadas, em vários pontos do país, manifestações de motociclistas contra a imposição de IPO nos motociclos

Cerca de três mil motociclistas concentraram-se hoje no Porto contra a imposição de inspeções nos motociclos, a partir de janeiro de 2022, com a organização a apelar ao Governo para que recue na medida “sem fundamento”.

Paulo Ribeiro, do Grupo de Ação Motociclista (GAM), associação responsável pela organização das manifestações que decorrem durante esta tarde em vários pontos do país, disse à agência Lusa, na Avenida dos Aliados, no Porto, estarem “cerca de três mil motociclistas”, que, pelas 16:50, começaram a arrancar para percorrer “as principais artérias da cidade”, como protesto contra a imposição de terem de fazer Inspeções Periódicas Obrigatórias (IPO).

As motos e os motociclistas preencheram grande parte do espaço em frente ao edifício da Câmara Municipal do Porto.

Nas motos, de vários modelos e cilindradas, estavam colocadas folhas A4 com frases como “Inspeções garantem receitas, não previnem a sinistralidade”; “Segurança sim, negócio não”; “Já chega, não nos roubem mais” ou “IPO não previne 97,3% dos acidentes”.

“Esta medida vem encapotada sob o falso argumento da segurança. O objetivo é impor-nos mais uma taxa, que nada tem a ver com a segurança”, sublinhou Paulo Ribeiro.

O representante do GAM critica a diretiva europeia “desprovida de fundamento” na base da aplicação da medida por parte do Governo português, que, independentemente disso, lembrou Paulo Ribeiro, pode evitar a sua aplicação, como fizeram vários países.

 

Associação de técnicos critica "interesses económicos" na inspeção a motociclos

A Associação Nacional de Técnicos de Inspeção de Veículos (ATIPOV) subscreveu hoje a crítica dos motociclistas quanto à Inspeção Periódica Obrigatória (IPO) a motociclos por ser fundamentada em “interesses económicos”.

Em comunicado enviado à Lusa, a ATIPOV, que ressalva estar de acordo com as inspeções técnicas aos motociclos, alerta que “a pressão exercida pelas entidades gestoras e entidades reparadoras, as quais obviamente são responsáveis por volumes consideráveis de faturação, irão condicionar o ato inspetivo”.

Para este sábado estão marcadas, em vários pontos do país, manifestações de motociclistas contra a imposição de IPO nos motociclos com uma cilindrada superior a 125 cm3 a partir de janeiro de 2022, alegando interesses económicos na base desta medida.

Segundo a ATIPOV, a deliberação que institui a obrigatoriedade de IPO a motociclos “tem falhas penalizando o consumidor\utilizador”, pelo que aquela associação propôs, em novembro de 2020, “uma reavaliação conjunta com representantes da sociedade civil, tais como o Instituto Politécnico de Leiria, a Associação de Consumidores de Portugal (ACOP) e a ATIPOV”.

A proposta de reavaliação conjunta “não obteve qualquer resposta por parte da entidade responsável, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT-IP)”, entidade que dizem manter “uma postura autista” sobre esta questão.

Em declarações à Lusa, António Manuel Francisco, do Grupo de Ação Motociclista (GAM) - que coordena as iniciativas de protesto nos diferentes pontos do país -, considerou que o Governo está “simplesmente a prestar um serviço a um setor privado, que é o das inspeções” e a obrigar os motociclistas a “suportar um negócio”, refutando a argumentação de uma promoção da segurança rodoviária e do combate à sinistralidade.

Na origem desta questão está uma diretiva europeia de 2014 cujo prazo de transposição para a legislação nacional acaba no final de 2021, estando em causa a inspeção periódica obrigatória (IPO) para os veículos com uma cilindrada superior a 125 cm3.

No entanto, seria possível evitar a sua implementação se os estados-membros demonstrassem (por via das estatísticas de segurança rodoviária) que o mesmo nível de segurança pudesse ser obtido com medidas alternativas. Essa exclusão foi alcançada por Irlanda, Holanda e Finlândia, sendo que Dinamarca e França anunciaram recentemente um “travão” na aplicação da diretiva, algo que António Manuel Francisco defendeu ser igualmente viável para Portugal.

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