Um dos coordenadores do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), António Eloy, classificou de “chá dançante” a visita de comitivas portuguesas e espanholas à central nuclear de Almaraz e disse que no local “há movimentos diários de terra”.

Todos os dias saem de Almaraz camiões carregados de terra, o aterro está a ser feito”, disse António Eloy à Lusa depois de uma reunião do MIA realizada em Lisboa, destinada a preparar próximas ações do movimento contra a construção de um armazém de resíduos nucleares junto da central de Almaraz, a 100 quilómetros da fronteira portuguesa.

Na semana passada uma comitiva portuguesa visitou a central espanhola, tendo depois sido divulgado um comunicado do Ministério do Ambiente de Portugal que dizia nomeadamente: “Os especialistas nacionais tiveram oportunidade de confirmar que ainda não se iniciaram os trabalhos de construção do armazém de resíduos radioativos, tendo sido apenas registado que houve abate de árvores naquela zona”.

A visita foi criticada pela organização ibérica por servir de moeda de troca para que Portugal retirasse uma queixa que tinha apresentado em Bruxelas contra Espanha. E o MIA aguarda agora o resultado de uma queixa que o próprio movimento apresentou e sobre a qual espera uma resposta até meados de maio, segundo António Eloy.

Na reunião desta segunda-feira foi preparada a participação portuguesa numa manifestação antinuclear que está agendada para 10 de junho em Madrid, bem como outras ações que decorrem até lá (como um debate em Portalegre no próximo fim de semana ou uma iniciativa com deputados espanhóis a 21 de abril), nomeadamente a marcha mundial pelo clima, a 29 de abril.

Porque é importante que fique claro que o nuclear não é alternativa e que também contribui para as emissões de dióxido de carbono”, salientou.

Eloy tem dito que na questão de Almaraz não é a construção do aterro que é importante mas sim o que ele representa: o prolongamento da vida da central além de 2020.

E também tem criticado a “posição pouco firme” do Governo português sobre esta matéria. Do ministro do Ambiente espera uma resposta a um pedido de reunião há cinco meses.

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