Última actualização às 23h00

Júlio Pinto Monteiro, tio do primeiro-ministro José Sócrates, esteve esta tarde a ser ouvido durante mais de três horas no âmbito da investigação ao caso Freeport. À saída os seus advogados declararam que «não há nenhuma suspeita que recaia sobre o Sr.engenheiro».

Pinto Monteiro foi inquirido no Tribunal de Cascais pelos procuradores Pais Faria e Vítor Magalhães. De acordo com a advogada, Maria Almeida Teixeira, Júlio Monteiro «entrou como testemunha e saiu como testemunha», limitando-se a prestar alguns esclarecimentos que o Ministério Público que considerou relevantes.

Também Sá Leão, o outro advogado do tio de Sócrates, desvalorizou a audição desta tarde, dizendo que Júlio Monteiro respondeu a «perguntas sem substância» e explicou que a demora de três horas se justificou com «tempo para tomar café e uma conversa animada». O causídico adiantou que as buscas efectuadas no âmbito do processo «não resultaram em absolutamente nada» e que Júlio Monteiro «não foi tratado como suspeito de traficar influências».

Durante a inquirição, o tio de Sócrates esclareceu pormenores sobre a conversa com o promotor do Freeport, Charles Smith, que conhece desde 1992, e por quem intercedeu conseguindo uma reuniã com o na altura ministro do Ambiente.

A testemunha confirmou ter abordado o assunto Freeport com o sobrinho, designadamente a elevada verba que um escritório de advogados exigia para o licenciamento do outlet.

Júlio Monteiro transmitiu a Charles Smith «a indignação» do ministro do Ambiente face ao que se passava e o pedido de Sócrates para que o inglês o visitasse no ministério.

A testemunha confirmou ainda um email enviado pelo filho Hugo Monteiro para os responsáveis do Freeport, oferecendo os seus serviços de marketing e invocando o parentesco com o na altura ministro do Ambiente. O primo do actual primeiro-ministro chegou a encontrar-se com os responsáveis do Freeport mas a sua proposta nunca foi escolhida.

À saída do tribunal de cascais Júlio Monteiro pouco disse, remetendo para os advogados quaisquer declarações. O tio do PM disse estar «completamente» de consciência tranquila, ainda brincou com os jornalistas e perante a insistência da polémica em torno do caso Freeport, respondeu com um enigmático «vocês sabem porquê». Sorridente, admitiu que o caso pode afectar a imagem do sobrinho José Sócrates, mas acrescentou: «não sei se conseguem».

Justiça ouve outros «suspeitos»

Vários «suspeitos» do caso Freeport estiveram esta quarta-feira a ser ouvidos pelo Ministério Público. Ao «PortugalDiário», Candida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) confirmou que estão a ser realizadas diligências e fonte da Procuradoria- Geral da República acrescentou que «decorrem as investigações do caso Freeport com inquirições, análise de documentos e de fluxos financeiros».

Segundo a Sic-Notícias, Charles Smith e Manuel Pedro, mediadores do negócio, ou já foram ouvidos ou serão ouvidos durante o dia. O Expresso, na sua edição on-line, precisa que Manuel Pedro foi ouvido já na terça-feira, não adiantando se na qualidade de arguido ou de testemunha.



A «Sic Notícias» avança ainda que as autoridades querem ouvir também Hugo Monteiro, primo de José Sócrates, que vive no Nepal, e advogados do escritório Vieira de Almeida.
Cláudia Rosenbusch / - com Manuela Micael