A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muay-Thay (FPKMT) foi suspensa de toda a actividade pela WAKO, a federação internacional que tutela o kickboxing a nível mundial. A intenção de suspender a FPKMT surge na sequência de largas dezenas de queixas relativas às acções e decisões dos órgãos sociais da federação portuguesa, influenciada há mais de uma década por Ana Vital de Melo, anterior presidente que, após alcançar o limite de mandatos, surge agora como vice-presidente da direcção de Nuno Margaça, apesar de não constar da lista eleita no último acto eleitoral da organização. 

Depois de criar uma comissão de inquérito para avaliar o caso português, a WAKO anunciou durante o mês de Setembro a intenção de suspender a FPKMT, com base nas largas dezenas de queixas relativas a irregularidades e ilegalidades na gestão, mas também com aquilo que considera ser uma incompatibilidade insanável entre estatutos da federação portuguesa e os da WAKO, considerando a comissão que existe um grave défice democrático nos procedimentos da sucessivas direcções da FPKMT e na forma como são conduzidos os processos eleitorais. 

Foi com base nesta última conclusão que, no dia 30 de Setembro, apoiada em pareceres jurídicos de entidades portuguesas e internacionais, a WAKO avançou para a confirmação definitiva da suspensão. Agora, para evitar a exclusão do lote de membros da WAKO, a direcção da Federação terá de convencer a WAKO de que está disposta a alterar estatutos e procedimentos eleitorais, algo que parece pouco provável, tendo em conta a resposta publicada na página oficial da FPKMT, que promete contestar juridicamente a decisão da federação internacional.

Para já, será a WAKO, em conjunto com o Comité Olímpico Português, a assumir a gestão da participação de atletas portugueses em provas nacionais internacionais, enquanto não for encontrada uma solução de futuro, que poderá passar pela criação de uma nova federação para tutelar o Kickboxing português.

A TVI sabe que a WAKO optou por centrar a justificação da suspensão apenas na questão da incompatibilidade estatutária para preservar a identidade dos associados que produziram as largas dezenas de queixas de irregularidades e ilegalidades na gestão da FPKMT e promover uma conclusão célere e isenta de polémica de um processo que tem sido difícil de gerir ao longo dos anos, já que esta não é a primeira vez que a direcção da federação e Ana Vital de Melo são alvo de acusações graves, mas a prova produzida por essas denúncias voltará a estar em cima da mesa em caso de uma reacção litigiosa por parte da federação portuguesa. 

Recorde-se que, já no passado mês de Julho, Roy Baker, o presidente da WAKO, deslocou-se a Portugal mas não foi recebido pela federação portuguesa, que também recusou estar presente na reunião de Baker com a secretaria de Estado do Desporto, que teve lugar no dia 8 de Julho.

A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai já reagiu à direção da WAKO e emitiu um comunicado onde retalia a suspensão "motivada por um indivíduo com o objectivo de prejudicar o Kickboxing nacional em proveito próprio" e garante que "irá agir legalmente face à decisão divulgada".

A Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai (FPKMT) retalia a decisão de suspensão divulgada pela World Association...

Publicado por Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai em  Quinta-feira, 1 de outubro de 2020
Henrique Machado / Notícia atualizada às 23:52