O SOS Racismo emitiu, esta terça-feira, um comunicado onde condena a violência policial contra Cláudia Simões, alegando que a mulher ficou em estado grave em "resultado das agressões que sofreu na paragem de autocarros e dentro da viatura da PSP em direção à esquadra de Casal de São Brás".

"Em conversa com a vítima, ela confirmou toda a cronologia da bárbara agressão de que foi vítima em frente à sua filha menor de 8 anos. A vítima relatou ainda, que enquanto a agredia, o agente não parou de proferir insultos racistas contra ela. A versão da vítima desmente em tudo o conteúdo da versão do comunicado emitido pela PSP sobre este caso de abuso de força e de violência policial", lê-se na nota enviada às redações.

No mesmo comunicado, o SOS Racismo lembra que as agressões a Cláudia Simões acontecem "um ano depois das violentas agressões policiais no Bairro de Jamaica" e no concelho da Amadora "onde 76% das queixas contra agentes de polícia por agressão a cidadãos são arquivadas".

A associação considera ainda "inconcebível que a vítima seja constituída arguida e presente sine die a tribunal enquanto nada acontece ao seu agressor", acrescentando que "pelos vídeos, imagens e pelo conteúdo do relato da vítima, cumpre dizer que este agente não tem condições de exercer e deve ser imediatamente suspenso".

PSP abre processo de averiguações

A Polícia de Segurança Pública abriu um processo para "proceder à averiguação formal" do que aconteceu no passado domingo na Amadora, quando alegadamente uma mulher terá agredido um agente após problemas num autocarro.

Em comunicado, a PSP informa que o agente "que se encontrava devidamente uniformizado a circular na via pública, foi abordado pelo motorista de autocarro de transporte público que solicitou auxílio em face da recusa de uma cidadã em proceder ao pagamento da utilização do transporte da sua filha, e também pelo facto de o ter ameaçado e injuriado".

Quando se dirigiu à mulher esta ter-se-à mostrado "agressiva perante a iniciativa do Polícia em tentar dialogar, tendo por diversas vezes empurrado o Polícia com violência, motivo pelo qual lhe foi dada voz de detenção".

Terá sido nessa altura que "outros cidadãos que se encontravam no interior do transporte público tentaram impedir a ação policial, nomeadamente pontapeando e empurrando o Polícia".

"O Polícia, que se encontrava sozinho, para fazer cessar as agressões da cidadã detida, procedeu à algemagem da mesma, utilizando a força estritamente necessária para o efeito face à sua resistência. Salienta-se, que a mesma, para se tentar libertar, mordeu repetidamente o Polícia, ficando este com a mão e o braço direitos com marcas das mordidelas que sofreu e das quais recebeu tratamento hospitalar. Só com a chegada de reforço policial foi possível conter as pessoas no local e promover a condução da cidadã à Esquadra para formalização da detenção".

Segundo o comunicado, a mulher foi conduzida ao Hospital Fernando da Fonseca, a mesma unidade de saúde onde foi assistido o agente. No dia seguinte a ter alta, a mulher apresentou queixa contra o agente "que procedeu à detenção qual será comunicada à Autoridade Judiciária competente".

Na sequência dessa denúncia, a PSP deu início ao processo de averiguações "para, a par do processo criminal, proceder à averiguação formal das circunstâncias da ocorrência e de todos os factos alegados pela cidadã".

/ AM