Portugal está entre os países europeus com maior esperança de vida à nascença, mas as mulheres portuguesas são das que apresentam maior percentagem de anos vividos com pouca saúde ou limitações físicas.

Os resultados constam do relatório anual sobre saúde na Europa da OCDE – "Health at a Glance", onde Portugal surge ligeiramente acima da média europeia quanto à esperança de vida à nascença, que, em 2016, se situava em 81,3 anos (mais três meses que a média).

Como na generalidade dos países, em Portugal as mulheres apresentam valores mais elevados de esperança de vida à nascença (84,3 anos). Contudo, quase um terço dos anos vividos pelas mulheres em Portugal são-no com limitações de saúde.

Aos 65 anos, as mulheres portuguesas têm uma esperança de vida ainda de 21,8 anos, mas 71% deles serão vividos com limitações.

É uma das percentagens mais altas de anos vividos com limitações físicas do conjunto de 28 países da União Europeia, cuja média é de 53% de anos de vida com menos saúde a partir dos 65 anos.

No caso dos homens, aos 65 anos os portugueses apresentam uma esperança média de vida de mais 18 anos, sendo que 57% serão vividos com limitações físicas ou de saúde, quando a média europeia é de 46%.

Portugueses entre os europeus com pior perceção do seu estado de saúde em 2016

Portugal está entre os três países europeus em que a população tem uma pior perceção do seu estado de saúde, segundo dados de 2016, hoje divulgados num relatório da OCDE.

O documento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico mostra que quase dois terços da população com mais 16 anos considerava em 2016 que a sua saúde estava “bem ou muito bem”.

Em Portugal, não chegava a metade a população que tinha uma boa perceção do seu estado de saúde, ficando-se nos 48%, 20 pontos percentuais abaixo da média dos 28 países da União Europeia (UE).

Só na Lituânia e na Letónia há menor proporção da população a considerar "bom ou muito bom" o seu estado de saúde.

Irlanda, Chipre, Holanda e Suécia surgem como os países com níveis mais elevados de cidadãos com boa perceção da sua saúde, rondando os 80%.

Portugal figura ainda como um dos quatro países em que maior percentagem de população reporta uma doença crónica, com mais de 40%, acima dos 33% de média da UE.

O relatório anual da OCDE analisa ainda a evolução da despesa em saúde “per capita” e por relação com a riqueza produzida (PIB) em cada país.

Enquanto na maioria dos países da União Europeia, houve um crescimento da despesa em saúde “per capita” entre 2013 e 2017, Portugal continuava em 2017 a registar valores inferiores aos registados em 2009, apesar de algum crescimento da despesa a partir de 2013.

O relatório traça ainda uma estimativa do crescimento dos gastos públicos em saúde por percentagem do PIB nos vários países.

Para Portugal, estima-se que até 2070 os gastos públicos com saúde aumentem dois pontos percentuais, passando de menos de 6% em 2016 para mais de 8%.

O documento mostra ainda o crescimento dos seguros de saúde em Portugal. Em 2016, mais de um quarto (26%) da população tinha um seguro de saúde privado, quando em 2005 esse valor não chegava aos 20% da população.