O estudo começou por causa do contexto particular do distrito de Aveiro, uma zona fortemente industrializada desde a década de 50 do século XX. O objetivo era saber se as grávidas apresentavam níveis de mercúrio que respeitassem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). No final concluiu-se que, em seis por cento dos casos, os níveis estavam acima dos recomendados. E que outras 38 por cento das mulheres registavam níveis de mercúrio no limite máximo recomendado. 

A investigadora Susana Loureiro recorda que as fontes industriais de mercúrio já desapareceram. Os resíduos deste poluente deixaram de ser descarregados diretamente para o ambiente há algumas décadas. Pelo que é possível que a contaminação encontrada nas mulheres grávidas tenha sido provocada por fontes diversas, eventualmente relacionadas com hábitos do dia-a-dia. E que, por isso, estes resultados podem ser extrapolados para outras regiões do País.

Mas as questões ligadas à toxicidade humana não são as que mais ocupam esta bióloga – que se especializou em nanomateriais. Depois de ter realizado vários estudos sobre o impacto que o abuso de nanopartículas têm nos ambientes terrestres e aquáticos, Susana Loureiro dedica-se agora ao seu reverso. Com as ferramentas científicas que vinha utilizando, a cientista procura agora nanocompostos que diminuam os riscos ambientais, numa perspetiva de sustentabilidade e circularidade.

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