Os militares portugueses em missão na República Centro-Africana regressaram à base na capital, Bangui, após um mês fora numa “operação complexa de paz” a 650 quilómetros da cidade, anunciou o Estado Maior General das Forças Armadas.

“Após um mês de uma complexa operação de paz das Nações Unidas (MINUSCA), na região de Ndélé, a cerca de 650 quilómetros da capital da República Centro-Africana, Bangui (5 dias de viagem), os militares do Exército e da Força Aérea da 7.ª Força Nacional Destacada neste teatro de operações, maioritariamente composta por Paraquedistas, regressaram à base na passada quinta-feira”, adianta um comunicado.

Segundo o documento do Estado Maior General das Forças Armadas, a Força de Reação Rápida Portuguesa foi chamada a intervir na região de Ndélé, tendo para o efeito deixado a base militar em Bangui no dia 29 de abril.

Da missão fazia parte a “proteção da população civil local, na sequência do confronto entre elementos de grupos armados de duas etnias, Goula e Rounga, que resultou na morte de 30 pessoas (entre as quais 21 civis), 50 feridos e mais de 8.000 deslocados”.

“Nesta operação de manutenção de paz, os militares portugueses realizaram várias patrulhas conjuntas com forças de “capacetes azuis" do Paquistão e do Nepal, nas proximidades da cidade de Ndélé”, explica o comunicado.

Destas patrulhas conjuntas, continua o documento, “resultou um confronto entre os paraquedistas portugueses e um grupo armado, bem como a captura de vários elementos, procurados pelas autoridades pelo presumível envolvimento nos confrontos de 29 de abril”.

“Mais uma vez, a presença dos militares portugueses na região, em nome da manutenção da paz, trouxe segurança às populações locais e contribuiu para o estabelecimento de um ambiente estável e seguro na cidade de Ndélé”, destaca o Estado Maior General das Forças Armadas. 

Atualmente, no teatro de operações na República Centro-Africana, está a sétima Força Nacional Destacada com um contingente de 180 militares, maioritariamente tropas especiais Paraquedistas do Exército Português, integrando ainda militares de outras unidades do Exército e Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O Governo centro-africano controla um quinto do território, sendo o resto dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro do ano passado pelo Governo e por 14 grupos armados, e um mês mais tarde as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA.

/ AM