O Tribunal de São João Novo, Porto, inicia quarta-feira o julgamento dos alegados responsáveis pelo homicídio do segurança Nuno Gaiato, o primeiro de vários ajustes de contas que marcaram a noite da cidade em 2007, refere a Lusa.

Trata-se também do primeiro processo com acusação deduzida pela equipa especial que a Procuradoria-Geral da República constituiu, em 12 de Dezembro de 2007, para averiguar os incidentes associados à noite do Porto.

Na acusação, concluída a 10 de Outubro do ano passado, a equipa especial liderada pela procuradora Helena Fazenda, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, acusou Hugo R., Vasco C. («Vasquinho») e José S. («Timóteo») - todos em prisão preventiva - pelo assassinato de Nuno Gaiato, consumado na discoteca Sonero, a 13 de Julho de 2007.

Aos três arguidos são igualmente imputados crimes de coacção agravada, posse ilegal de arma e de estupefacientes.

Um dos responsáveis também foi assassinado

A investigação do caso concluiu que o homicídio de Gaiato teve um quarto co-responsável, Alberto Ferreira («Berto Maluco»), um segurança que acabou abatido a rajadas de metralhadora, junto à sua residência em Santo Ovídio, Gaia, em 10 de Dezembro de 2007.

«Berto Maluco» era também a pessoa que conversava com o dono da discoteca Chic, Aurélio Palha, quando este empresário da noite foi abatido a tiro, a partir de uma viatura em andamento, às primeiras horas de 27 de Agosto.

O despacho de acusação refere que foi «Berto» quem tomou a iniciativa de convocar Hugo, «Vasquinho» e «Timóteo» - todos seguranças na discoteca Chic, de Aurélio Palha - para irem à discoteca Sonero com o preciso objectivo de matar Gaiato.

A acusação diz que os quatro estavam armados, tal como a vítima.

Outro segurança da discoteca Sonero tentou travar o confronto, mas desistiu depois de Hugo o intimidar, mostrando-lhe uma pistola de calibre 7,65 milímetros.

«Vasquinho» e «Timóteo» ficaram à porta, a controlar os movimentos, enquanto que «Berto» e Hugo encurralaram Gaiato na cozinha da discoteca, desferindo-lhe seis tiros, de acordo com a reconstituição dos factos feita na acusação.

O tiro fatal, na cabeça de Gaiato, terá sido disparado por Hugo, que entretanto fora baleado numa perna.

O homicídio terá sido cometido em alegada retaliação por uma suposta agressão de Gaiato a pessoa das relações de «Berto», sem o exigido pedido de desculpas.

Além de marcar o início do julgamento para esta quarta-feira, na 4ª Vara, o Tribunal de São João Novo calendarizou as audiências seguintes para esta sexta-feira e para os dias 12, 14, 16 e 19 de Janeiro e 18 de Fevereiro.
Redação / CR