Noite de segunda para terça-feira, entre as 20:00 e as 3:00 da manhã, em Pont-de-Beauvoisin, no sudeste de França, juízes de instrução, procuradores, advogados e os pais da menina Maëlys de Araújo participaram na reconstituição do que se passou a 27 de agosto de 2017, guiados pelo acusado Nordahl Lelandais. Que, depois de ter negado qualquer envolvimento e, mais tarde, confessado ter involuntariamente causado a morte da criança, terá agora admitido que lhe deu várias pancadas.

O caso, que começou com o desaparecimento da pequena lusodescendente numa festa de casamento, teve agora mais uma etapa, com a reconstituição, seguida de perto por vários meios de comunicação franceses. Segundo o jornal regional Le Dauphiné Libéré, o antigo soldado Nordahl Lelandais terá adiantado novas explicações num último interrogatório, na passada sexta-feira, perante os juízes de instrução de Grenoble.

O cortejo, com cerca de duas dezenas de carros, criado para reconstituir o crime saiu do local onde decorria o casamento - no qual, a família Araújo e o soldado Lelandais eram convidados - e parou no parque de estacionamento de uma zona comercial, de que o acusado nunca antes falara, entre o centro da cidade de Pont-de-Beauvoisin e a casa dele.

Nesta etapa, onde a comitiva se deteve por uma hora, os polícias rodearam o local com panos brancos para ocultar as diligências efetuadas. Segundo a televisão BFMTV, terá sido nesse local que o soldado Lelandais agrediu, com quatro ou cinco pancadas, a menina. Na noite passada, terá mesmo exemplificado o que fez num manequim, diante dos juízes e na presença dos pais de Maëlys.

Outro dado tido como surpreendente, assinalado pela imprensa francesa que seguiu de perto a reconstituição, os investigadores não se detiveram num barracão junto da casa de Lelandais, onde este antes dissera ter escondido o corpo da menina.

Depois, por volta das 23:20 locais, o cortejo seguiu para a zona florestal onde o soldado confessou ter deixado o corpo de Maëlys de Araújo e onde o cadáver seria encontrado.

A 3 de setembro do ano passado, Nordahl Lelandais foi acusado de "sequestro e detenção arbitrária", quando foram enocntrados vestígios de ADN da criança no seu carro.

A 10 de novembro, após a análise de imagens de câmaras de videovigilância, que mostravam a silhueta da menina no "lugar do morto" do seu carro, Lelandais foi acusado de homicídio. Acabaria por assumir a morte da criança, mas de forma "involuntária", dizendo ter-lhe dado um soco porque a criança tinah entrado em pânico.

O funeral da pequena Maëlys de Araújo ocorreu a 2 de junho em La Tour-du-Pin, mais de três meses após a descoberta do corpo.