As inspeções que incidem sobre práticas de inflação de notas são para alargar a “todo o universo de escolas”, para melhorar a transparência e a “justiça relativa” no acesso ao ensino superior, disse o ministro da Educação, nesta segunda-feira.

Este é um trabalho que queremos fazer em todo o universo de escolas para que verdadeiramente as escolas tenham práticas que possam ser comparáveis e acima de tudo para aumentar a transparência e a justiça relativa no que é o acesso ao ensino superior”, afirmou o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, à margem da 7.ª edição da conferência Corações Capazes de Construir, da Associação Corações Com Coroa, que hoje decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O relatório da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) hoje divulgado pelo jornal Público dá conta de que os estabelecimentos de ensino fazem “vista grossa” aos critérios de avaliação que eles próprios definem para poderem atribuir classificações mais elevadas aos alunos.

Segundo este relatório, são usados domínios como a oralidade ou as atividades laboratoriais que, por não terem testes ou outros critérios mensuráveis que permitam suportar as avaliações feitas pelos professores, são usados para aumentar as notas dos alunos.

Foi muito importante ver agora neste relatório que a ação da IGEC teve consequências”, disse o ministro, sublinhando que “estas intervenções inéditas” da IGEC mostram que o trabalho inspetivo em dois anos consecutivos teve como resultado visível uma “mudança de práticas” de um ano para o outro, que levou a uma redução do desalinhamento das notas internas (as que resultam da avaliação dos professores pelo trabalho ao longo do ano) com as notas dos exames nacionais em 80% das escolas onde a IGEC esteve presente.

Brandão Rodrigues adiantou ainda que a ação inspetiva da inspeção-geral “tem continuado” e que “existem já mais elementos” recolhidos pela IGEC.