Já há arguidos no processo que investiga as irregularidades na reconstrução da casas depois dos incêndios de Pedrógão Grande, em 2017. Um dos arguidos, Augusto Neves, é irmão do presidente da Junta de Freguesia de Vila Facaia e participou no Repórter TVI: O compadrio.

Na altura da reportagem, Augusto Neves admitiu que mentiu a pedido do vereador de Pedrógão Grande para dar como casa de primeira habitação um imóvel que estava há muito em ruínas. 

O inquérito já levou a Polícia Judiciária a realizar buscas na câmara municipal de Pedrógão Grande e na Casa da Cultura, onde funciona o gabinete de obras da autarquia. 

Já esta semana, os investigadores regressaram a Pedrógão Grande para ouvir testemunhas, recolher documentos e também para fazer arguidos. 

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O Ministério Público revela que há ainda mais três "arguidos requerentes de apoio" e em investigação "estão factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, participação económica em negócio, burla qualificada e falsificação de documento".

Os arguidos encontram-se sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande anunciou ter pedido a saída do Conselho de Gestão do Fundo Revita, estrutura criada pelo Governo na sequência do incêndio de junho de 2017 naquele concelho.

Além da sua saída, Valdemar Alves optou por substituir Bruno Gomes, antigo vereador e técnico do município que coordenava o gabinete responsável pelos processos de reconstrução de casas destruídas pelo fogo e que tinha assento na comissão técnica do Revita.

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.