O pianista português José Carlos Sequeira Costa morreu nos Estados Unidos, onde residia, aos 89 anos, vítima de cancro, confirmou esta sexta-feira à Lusa fonte próxima da família.

Distinguido em 2004 com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, Sequeira Costa foi um dos nomes mais significativos do piano português no século XX, tendo fundado o Concurso Internacional Vianna da Motta, de quem foi aluno.

Em 2009, assinalou os 80 anos com quatro concertos ilustrativos da história do piano, na Casa da Música, no Porto, um ano depois de ter esgotado a Sala Suggia, com quatro concertos dedicados a Chopin e ao Mestre de Bona, e de ter atuado pela primeira vez a solo no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Em 2007, fizera a integral dos Concertos para piano de Beethoven, com a Orquestra da Comunidade de Madrid e o maestro José Ramon Encinar, no Teatro Albéniz, da capital espanhola. Em 2006, foi o protagonista do Concerto de Ano Novo da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a interpretar Rachmaninov e Ravel. Em 2005, atuou pela última vez no Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim.

Em 1951, Sequeira Costa venceu o Grande Prémio de Paris no Concurso Internacional Marguerite Long, tendo desde então sido um dos nomes de maior projeção nos palcos internacionais. A convite de Dimitri Chostakovitch fez parte do primeiro júri do Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscovo, no ano de 1958.

Desde 1976 era professor de piano na Universidade do Kansas, nos Estados Unidos.

Sequeira Costa classificava Bach como o “sol de todos os compositores” e destacava Liszt como estando entre os seus criadores preferidos, por ter sido seu “avô espiritual”, ao ter ensinado Vianna da Motta.

José Carlos Sequeira Costa nasceu em julho de 1929, começou muito cedo a estudar música, teve como professor José Vianna da Motta, um dos derradeiros discípulos de Franz Liszt, e aperfeiçoou os seus conhecimentos com Mark Hamburg, Edwin Fischer, Marguerite Long e Jacques Fevrier, protagonistas da interpretação para piano, nas primeiras décadas do século XX.

Artur Pizarro, seu antigo discípulo, escreveu na página oficial do Facebook que Sequeira Costa gostaria de ser lembrado "com charme... ao piano".

Pizarro, um dos mais internacionais pianistas portugueses da atualidade, que iniciou os estudos com Sequeira Costa na infância, escolhe uma gravação da "Pequena Valsa", de Teresa Carreño, interpretada pelo professor, para o "lembrar (...) como ele gostaria... com charme, ao piano!".

A peça vem de um álbum de 'encores', publicado em 1995, quando Sequeira Costa, a par da cátedra de piano da Universidade do Kansas, cumpria uma agenda internacional de concertos, que manteve regularmente até aos 80 anos, e que todos os anos incluía Portugal no seu roteiro, da Temporada Gulbenkian de Música, ao Festival Internacional de Música de Sintra e ao da Póvoa de Varzim, que ajudou a fundar.