O primeiro mês da última fase do desconfinamento, que se iniciou em 1 de outubro, registou menos 32% de casos de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2 e menos 21,5% de mortes associadas à covid-19 do que em setembro.

Os relatórios da Direção-Geral da Saúde (DGS) indicam que, durante o mês de setembro, ainda com as restrições previstas na terceira fase do plano de desconfinamento em vigor, foram registadas 31.386 infeções por SARS-CoV-2, número que baixou para as 21.372 no total de outubro.

A mesma tendência verificou-se no número de óbitos, que desceu dos 232 em setembro para os 182 em outubro, o que corresponde a uma redução de 21,5%.

A pressão sobre os serviços de saúde, na comparação entre estes dois meses, também diminuiu, já que de uma média de 524 pessoas internadas em setembro, os hospitais de Portugal continental passaram para uma média de 318 doentes.

Os dados da DGS indicam ainda que, se em setembro as unidades de cuidados intensivos acolhiam uma média de 105 doentes, esse número baixou para pouco mais de 59 no mês seguinte, ou seja cerca de 23% do valor crítico de 255 camas ocupadas definido pelas autoridades de saúde na análise de risco da pandemia.

Em 1 de outubro, Portugal continental avançou para a última etapa de levantamento das restrições impostas para controlar a pandemia, um plano que dependeu do ritmo da vacinação, e numa altura que estava muito perto de atingir a meta dos 85%.

O país entrou em setembro com 83% da população com pelo menos uma dose da vacina e 73% com a vacinação completa, tendo atingido em 9 de outubro a meta estipulada de alcançar os 85% dos residentes com o processo vacinal concluído.

As “linhas vermelhas” da pandemia indicavam que o país avançou para a última fase do desconfinamento com um índice e transmissibilidade (Rt) inferior a 1, com uma tendência decrescente da incidência de infeções por SARS-CoV-2 a nível nacional (0,89) e em todas as regiões.

No entanto, este indicador ultrapassou a barreira de 1 nas últimas semanas, com a análise de risco a prever que o número de infeções possa ultrapassar a barreira dos 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias dentro de um a dois meses.

Segundo adiantou na última semana a ministra da Saúde, Marta Temido, as estimativas e as análises de modelação epidemiológica realizadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge apontam para 1.300 casos confirmados a 7 de novembro, caso se mantenha o atual risco de transmissão.

/ BCE