Paulo Campos, o ex-presidente do INEM, diz que foi saneado politicamente por se ter recusado a promover a irmã de Lalanda e Castro. Campos, uma das principais testemunhas no processo "O- negativo", diz que já entregou na Polícia Judiciária documentos que provam a sua acusação.

O ex-responsável do Instituto de Emergência Médica garante que Paulo Macedo o chamou ao gabinete e lhe deu dez dias para promover Helena Lalanda e Castro, que estava na admnistração regional de saúde e queria regressar ao INEM. Campos diz ainda que José Sócrates tentou mesmo que o INEM reintegrasse a irmã de Lalanda.

Eu sempre gostei de cumprir leis e procedimentos, portanto aquilo que é legal eu posso fazer, aquilo que não é de todo legal e parece pressão, sempre tentei fugir. Daí termos de facto conduzido a instituição no sentido de fazer o melhor para o cidadão. É evidente que nesse contexto é impossível cumprir uma ordem direta destas", disse o ex-presidente do INEM.

aulo Campos foi o primeiro presidente do INEM a entrar através de um concurso público, a 24 de março e, segundo o próprio, desde aí começou a receber denúncias anónimas sobre as negociatas e ligações perigosas que havia entre as empresas de Paulo Lalanda de Castro e o Instituto Nacional de Emergência Médica.

Paulo Campos alega que recusou a ordem e acabou com um processo disciplinar que o afastou do INEM em fevereiro deste ano.

Durante quatro ano, Paulo Campos recolheu provas daquilo que poderá ser corrupção e ligações perigosas de um núcleo de empresas ao INEM. Agora, o ex-presidente do Instituto de Emergência Médica vai entregar esses documentos ao Ministério Público, tornando-se numa das principais testemunhas desta investigação.

Alexandra Borges / STS / VF