O Governo vai avançar com a requisição civil para alojar pessoas em isolamento profilático ou sem condições de habitabilidade no espaço Zmar, no concelho de Odemira, que é dos mais afetados pela pandemia de covid-19 no país.

O primeiro-ministro já tinha anunciado esta quinta-feira que o executivo iria fazer requisições naquele município alentejano, com o objetivo de instalar pessoas infetadas, pessoas em risco de contágio e também população que vive em situação de "insalubridade habitacional admissível, com hipersobrelotação das habitações", como é o caso de vários trabalhadores agrícolas emigrantes, comunidade em que têm sido detetados surtos da doença.

Vamos proceder à requisição de um conjunto de instalações para permitir o isolamento profilático dos positivos, das pessoas em risco e de casos de sobrelotação, que é um risco para a saúde pública", disse António Costa, alertando para as condições em que vivem estes emigrantes.

A situação específica do Zmar foi mais tarde confirmada pelo ministro da Administração Interna, que afirmou que a requisição já avançou.

Eduardo Cabrita revelou que serão disponibilizadas ainda duas infraestruturas públicas, pertencentes à Câmara Municipal de Odemira e do Instituto Português da Juventude e do Desporto.

A situação acabou por ser confirmada pela autarquia, numa conferência de imprensa realizada esta tarde, a propósito da cerca sanitária decretada pelo Governo para as freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve.

Segundo o presidente da câmara, José Alberto Guerreiro, foi ainda decidido, numa reunião que teve lugar esta manhã, que a Pousada da Juventude de Almograve, localizada neste concelho alentejano e que dispõe de 42 camas, vai servir para “o eventual alojamento de infetados” com o novo coronavírus SARS-CoV-2.

Cerca de 100 bungalows do Zmar pertencem à empresa detentora do resort, mas outras 60 habitações são de particulares. Apesar disso, o Governo pretende utilizar a totalidade do espaço, o que está a ser mal visto pelos proprietários individuais.

Tentámos criar um cantinho para férias e momentos de lazer. Não faz sentido nenhum vermos as casas serem invadidas, ainda por cima sem darmos autorização, para este tipo de fins", afirma Alexandra Beato, proprietária de uma casa no espaço.

Numa altura em que o espaço vive uma grave situação económica, a administração do empreendimento entende que esta pode ser "a morte do Zmar", garantindo que será "a morte do plano aprovado pelos credores".

Sem a faturação deste verão o Zmar não subsistirá", diz Pedro Pidwell, que admite a extinção de mais de 100 postos de trabalho.

Já este ano, a 20 de janeiro, a empresa tinha aberto insolvência. Mas um investimento e um acordo entre credores previu a reabertura para 28 de maio, o que agora fica comprometido.

Odemira é um concelho que vive uma situação à parte do resto do país. As freguesias de São Teotónio e Longueira/Almograve voltam à primeira fase do desconfinamento, com cerca sanitária. As restantes avançam.

Isto significa que, nestas duas freguesias, têm de encerrar, a partir de sábado, esplanadas, lojas até 200 m2 com porta para a rua, ginásios, museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares. São proibidas as feiras e mercados não alimentares e as modalidades desportivas de baixo risco.

Só pode funcionar o comércio ao postigo, o comércio automóvel e mediação imobiliário, os salões de cabeleireiros, manicures e similares, após marcação prévia, os estabelecimentos de comércio de livros e suportes musicais, os parques, jardins, espaços verdes e espaços de lazer, e as bibliotecas e arquivos.

António Guimarães