A viúva do cidadão ucraniano que morreu nas instalações do SEF diz ter medo de viajar para Portugal. Oksana Homeniuk falou à TVI e soube pela nossa reportagem que vai ser indemnizada pelo Estado português, mas diz que só acredita quando chegar o valor.

Antes da morte do marido, pensava que Portugal era um país que respeitava os cidadãos estrangeiros. Agora, diz que nem vai tentar assistir ao julgamento, com medo de que lhe possa acontecer o mesmo que ao marido à chegada a Portugal. 

Tenho medo de ir a Portugal, não sei o que me pode acontecer", admitiu. 

Oksana Homeniuk vive com mágoa e revolta há nove meses. Até aqui, o Estado português nunca tinha falado a respeito da família do imigrante vítima de homicídio, por isso, quando soube através da TVI que iria receber uma indemnização, reagiu com ceticismo. 

Estou a viver sozinha com duas crianças", frisou. Pagou sozinha mais de 2.000 euros para trasladação do corpo do marido, de Portugal para a Ucrânia.

O Governo anunciou, esta quinta-feira, que o Estado português vai pagar uma indemnização à família de Ilhor Homeniuk, o cidadão ucraniano que foi morto em 12 de março, por três inspetores do SEF.

O Presidente da República também já reagiu à polémica, dizendo que é preciso perceber se se trata "de um caso isolado", acrescentando que "se o sistema globalmente não funciona, então tem de ser substituído".

A morte de Ihor Homenyuk nas instalações do SEF levou à acusação de três inspetores daquele serviço por homicídio qualificado.

Segundo a acusação, Homenyuk foi isolado na sala dos médicos do mundo dos restantes passageiros estrangeiros, onde permaneceu até ao dia seguinte, tendo sido “atado nas pernas e braços”

Inês Pereira