O presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, afirmou esta quarta-feira que nunca teve "guarda-costas", refutando assim a acusação de que é alvo no âmbito da "Operação Fénix". O dirigente portista foi dispensado da sessão que vai ocorrer esta tarde.

No início do julgamento, em Guimarães, Pinto da Costa disse que algumas vezes se fazia acompanhar de elementos da empresa de segurança SPDE apenas para evitar ser "asfixiado" pelo "carinho" dos adeptos.

Era preciso criar um espaço de segurança para evitar que as pessoas caíssem em cima de mim", afirmou.

Aludiu, concretamente, a visitas que fazia à Afurada, em Vila Nova de Gaia, e que acabaram por ser proibidas pelo médico, tal era a afluência de pessoas interessadas em falar com ele.

É claro que não precisava de guarda-costas, isso era até ofensivo para aquela gente", referiu o dirigente.

Falou também numa sessão de um lançamento de um livro, em que estariam 5.000 pessoas, e em que teve de parar ao fim de mil autógrafos, porque já "não sentia o pulso".

Pinto da Costa disse ainda que os elementos da empresa de segurança privada SPDE acompanhavam a equipa do Futebol Clube do Porto não para a sua segurança pessoal, mas sim para impedir que os adeptos entrassem no hotel para pedir autógrafos.

Alegou que também pediu a intervenção da SPDE para fazer vigilância à casa que tinha sido da mãe e que "vinha sendo assaltada há meses".

Negou que tivesse pedido segurança pessoal para os seus familiares, nomeadamente para a mulher.

Na "Operação Fénix", Pinto da Costa está acusado de sete crimes de exercício ilícito da atividade de segurança privada, por alegadamente ter contratado serviços de acompanhamento e proteção pessoal a uma empresa que sabia não dispor de alvará para o efeito.

O advogado do dono da empresa de segurança privada SPDE, Eduardo Silva, disse, à entrada do tribunal, acreditar na possibilidade de provar a inocência do seu cliente.

Considero que há algumas hipóteses, e por essas vamos lutar, de demonstrar que a acusação não tem razão", disse o advogado Artur Marques à entrada do quartel dos Bombeiros Voluntários de Guimarães.

O mesmo advogado afirmou que a empresa nunca realizou serviços de "guarda-costas" de forma ilícita, um dos crimes de que é acusado o empresário.

"É um ponto central da defesa, como da acusação. Nunca fez segurança pessoal de guarda-costas", reiterou Artur Marques à saída do quartel dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, ao início da tarde, tendo ainda considerado provável que Eduardo Silva deponha ainda hoje.

Eduardo Silva está acusado de 22 crimes, que, além do exercício ilícito da atividade da segurança privada, envolvem associação criminosa e posse de arma proibida, no âmbito da "Operação Fénix", ligada à utilização ilegal de seguranças privados.

A defesa do dono da sociedade SPDE - Segurança Privada e Vigilância em Eventos SPDE - disse ainda que a alegação do presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, sobre nunca ter utilizado os seguranças da empresa para fins pessoais, durante o julgamento, "corrobora" a sua defesa.

Mais de 50 arguidos da “Operação Fénix”, entre os quais o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, e o antigo administrador da SAD portista Antero Henrique, começaram hoje a ser julgados, em Guimarães.

O julgamento está a decorrer no quartel dos Bombeiros Voluntários daquela cidade, uma vez que a Comarca de Braga não dispõe de uma sala com capacidade para acolher tanta gente, entre arguidos, advogados e forças policiais.

Três dos arguidos faltaram hoje à sessão, entre eles Antero Henriques, antigo administrador da SAD portista.      

A “Operação Fénix” é um processo relacionado com a utilização ilegal de seguranças privados.

Os arguidos respondem por associação criminosa, exercício ilícito da atividade de segurança privada, extorsão, coação, ofensa à integridade física qualificada, ofensas à integridade física agravadas pelo resultado morte, tráfico, posse de arma proibida e favorecimento pessoal.

A lista de arguidos integra a empresa SPDE - Segurança Privada e Vigilância em Eventos, acusada de um crime de associação criminosa e outro de exercício ilícito de atividade de segurança privada.

O sócio-gerente da SPDE, Eduardo Jorge Lopes Santos Silva, responde por aqueles dois crimes e ainda por detenção de arma proibida.

A acusação sustenta que este arguido seria o líder de um grupo que se dedicava à prática de atividades ilícitas relacionadas com o exercício de segurança privada.

 
Redação / SS/CP - atualizada às 14:39