A 21 de novembro de 2014 o país parava perplexo em frente às televisões. José Sócrates, que tinha sido primeiro-ministro durante seis anos (2005-2011), era detido em pleno aeroporto de Lisboa.

Uma operação sem precedentes montada pela Autoridade Tributária, que tinha agentes à espera do antigo governante, que chegava de Paris. José Sócrates acabaria por ser detido por fortes indícios de corrupção e branqueamento de capitais.

Em causa estariam eventuais favorecimentos ao Grupo Lena ou ao Grupo Espírito Santo, o que faz com que Ricardo Salgado seja outra das personalidades do processo.

José Sócrates esteve detido durante três dias, antes de lhe ser decretada a prisão preventiva, a medida de coação mais gravosa em Portugal. O antigo chefe de governo passaria quase um ano no estabelecimento prisional de Évora, ficando conhecido como o recluso 44.

Durante esse período seguiram-se várias visitas àquele que foi o detido mais famoso do país. De Mário Soares a António Costa, foram várias as figuras socialistas a visitarem José Sócrates na prisão.

José Sócrates está a lutar por aquilo que considera ser a sua verdade", diria António Costa, que à data ainda não era primeiro-ministro.

Passados 288 dias, a prisão foi revertida, e José Sócrates vai para casa a 4 de setembro de 2015. Pouco mais de um mês depois, a 16 de outubro, fica sujeito a termo de identidade e residência.

Depois de muitas demoras, a acusação daquela que é conhecida como a "Operação Marquês" é conhecida a 11 de outubro de 2017, quase três anos depois da detenção. José Sócrates ficava com 31 crimes económicos imputados.

É apenas no início de 2019 que se dá início à fase de instrução, fase na qual o antigo primeiro-ministro só viria a intervir em outubro, ao longo de cinco longos dias em que foi ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Cinco anos depois do início de tudo, ainda se espera pelo debate instrutório, que deverá começar em janeiro do próximo ano.