O bastonário da Ordem dos Dentistas acusou esta sexta-feira as empresas de seguros de enganarem os doentes visando unicamente o lucro, situação que pretende combater com a criação de uma tabela que define os actos medico-dentários.

«Acontece com alguns seguros de saúde em que o doente é absolutamente enganado. É vulgar haver seguros que publicitam tratamentos gratuitos, mas não há tratamentos gratuitos», revelou Orlando Monteiro da Silva, em entrevista à agência Lusa.

O bastonário fala em casos de «falta de transparência» e numa «situação pantanosa», alertando para a necessidade de criar legislação que enquadre os seguros de saúde.

«Estamos no reino da ditadura do elo mais forte, que são as empresas de seguros e de convenções, que pretendem impor as suas regras na prática medico-dentária visando unicamente o lucro», lamentou.

O bastonário relatou que recebe queixas de várias pessoas que se convencem de que aderem a um plano de cobertura de saúde oral quando, afinal, apenas ficam abrangidas por meia dúzia de actos.

Mais de um milhão de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já beneficiaram do cheque dentista desde 2008, sendo que só este ano o programa já abrangeu 600 mil pessoas.

Segundo dados revelados à agência Lusa pela Ordem dos Médicos Dentistas, este ano foram tratadas através dos cheques dentista 500 mil crianças de sete, 10 e 13 anos e cerca de 100 mil grávidas, idosos e meninos com menos de seis anos.

Estes cheques são disponibilizados também a grávidas, crianças a frequentar escolas da rede pública, idosos beneficiários do complemento solidário e portadores de VIH/sida.

Actualmente há cerca de 3.800 médicos e 6.000 consultórios envolvidos no cheque dentista, o que representa uma adesão de cerca de metade do total de clínicos no país.

Para o bastonário dos Dentistas, num momento de crise económica este programa «torna-se ainda mais importante». Orlando Monteiro da Silva frisa que «não há oferta» no SNS e que se regista um elevado absentismo ao trabalho e escolar devido a problemas dentários.