de declarações sobre os problemas registados nas urgências do Hospital Amadora-Sintra.

«Seguramente, está a informar mal o ministro da Saúde e não lhe dá oportunidade para, atempada e preventivamente, resolver os problemas dos hospitais que estão sob a sua responsabilidade. O presidente da ARS-LVT, depois destas afirmações, deverá perder a confiança do ministro. Eu, se fosse ministro da Saúde, demitia-o», afirmou José Manuel Silva, após receber uma delegação do PCP, encabeçada pelo secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.


«Vinte e oito diretores de serviço demitiram-se, as chefias de equipa de urgência também apresentaram as suas demissões em dezembro. Se calhar, essa pseudo-frase do presidente da ARS é que é capaz de estar errada. Eu pergunto o que será uma crise. Esta narrativa oficial de procurar minimizar e esconder a verdade é que continua a contribuir para que os verdadeiros problemas do país não sejam resolvidos. A preocupação da tutela ao não resolvê-los, é escondê-los», continuou o bastonário, comentando a classificação de "pseudo-crise" por parte de Cunha Ribeiro.


«Disse o presidente da ARS-LVT - que, se calhar, devia ser demitido, mentiu -, que o hospital [Amadora-Sintra] contratava todos os médicos disponíveis. Não é verdade. No ano passado, dispensou proactivamente o único radiologista de intervenção que tinha, que foi trabalhar para Inglaterra, ganhar mais e com respeito pela qualidade e diferenciação do trabalho. Os doentes passaram a ser pior tratados e direcionados para outros hospitais», exemplificou José Manuel Silva.


«Não teve a ver com nenhuma vaga de frio siberiana ou qualquer epidemia de gripe particularmente grave. Foi, de facto, reflexo da incapacidade de resposta do SNS e da ausência de planeamento para preparar o inverno. Mais parecia que o Ministério da Saúde estava à espera que o inverno fosse uma primavera e que não houvesse gripe», criticou.






«Não existem médicos a menos. O grande problema é que hoje muitos dos jovens médicos que se formam acabam por partir para o estrangeiro, tendo em conta as condições de trabalho e o estatuto remuneratório que lhes atribuem. Podíamos dizer que, nos últimos tempos, Portugal perdeu cerca de 150 milhões de euros e alguns países receberam-nos a custo zero aquilo que custou ao país a formação desses médicos», disse Jerónimo de Sousa, após encontrar-se com o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), em Lisboa.