O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, denunciou, esta terça-feira, a falta de espaços e de médicos no Hospital de Aveiro, problemas que a administração hospitalar diz estarem em vias de resolução.

Temos deficiência de vários médicos de várias especialidades no Hospital de Aveiro. Pelas horas extraordinárias que são feitas e pelas horas feitas por médicos tarefeiros, diria que faltariam cerca de 60 médicos no Hospital”, disse o bastonário.

Miguel Guimarães disse que um dos principais problemas tem a ver com a falta de médicos para assegurar a urgência na área da cirurgia geral, adiantando que “às vezes não são cumpridos os mínimos”.

A cirurgia geral tem sofrido muito com isto, porque apesar de o quadro médico ter 22 cirurgiões, só 11 é que fazem serviço de urgência”, constatou o bastonário, considerando que este número é “claramente insuficiente, o que faz com que o hospital tenha que “recorrer muitas vezes a serviços externos”.

Miguel Guimarães falava aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital de Aveiro, no âmbito de um périplo que a OM está a fazer a várias unidades de saúde em todo o país para dar conhecimento dos problemas existentes à ministra da Saúde.

O bastonário defende que Aveiro "precisa de um Hospital novo há muito tempo" e lançou um desafio para a criação de um movimento cívico tendo em vista este objetivo.

Aveiro é uma cidade pujante, que tem uma grande energia, tem um capital universitário muito interessante, e as pessoas que cá trabalham e as pessoas que necessitam de cuidados de saúde deviam ter direito a novas instalações, porque é um dos grandes problemas que existe aqui”, referiu.

Miguel Guimarães disse que ao longo da visita ouviu várias queixas dos profissionais de saúde relacionadas com as instalações e deu como exemplo o serviço de dermatologia que “tem dois pequenos gabinetes para dois médicos e um semi-gabinete, a meio do corredor, para a enfermeira”.

Ou seja, uma especialidade tão importante como esta, que precisa de tempo, de um espaço adequado para conversar com os doentes, está extremamente limitada em termos de espaço físico e até desadequado em termos das regras de privacidade que devem existir”, sublinhou.

Este problema foi reforçado por Inês Rosendo, vice-presidente do Conselho Regional do Centro da OM, que diz que este Hospital "está claramente subdimensionado".

Foram relatadas situações de cirurgias que tem de ser canceladas, porque não há espaço de internamento para depois internar as pessoas”, frisou Inês Rosendo.

A presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, Margarida França, reconheceu a existência de alguns problemas, nomeadamente ao nível da falta de espaço, mas diz que estão a trabalhar no sentido de alargar as instalações.

Já há trabalho feito. O estudo funcional da nova unidade de ambulatório deverá estar terminado depois do verão e, portanto, estão a ser feitos esforços para melhorar as instalações. Os profissionais de saúde e os nossos doentes merecem novas instalações, mais modernas e atualizadas”, vincou.

Já quanto à falta de médicos, a responsável disse que o problema tem a ver com a dificuldade em recrutar novos profissionais.

Infelizmente temos tido vagas não preenchidas. Temos agora mais três vagas para cirurgiões e três vagas para medicina interna e estou na expectativa que elas sejam preenchidas”, disse Margarida França, negando que os serviços mínimos não estejam a ser cumpridos ou que haja serviços em rotura.