A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), em conjunto com a DGS, criou um documento para ajudar as pessoas, sejam elas crianças, adolescentes, adultos, idosos ou toda a comunidade, a lidarem com situações de catástrofes, como é o caso dos incêndios.

Portugal está em alerta devido ao calor e tem esta terça-feira mais de 90 concelhos com risco máximo de incêndio.

É importante compreender que, apesar de cada pessoa reagir à sua maneira (não existe uma forma “certa” ou “errada” de reagir), há respostas que são normais e comuns ter-se face a estes acontecimentos", afirmou a Ordem dos Psicólogos, em comunicado.

 

Conselhos para crianças e adolescentes

Os jovens e os adolescentes reagem de várias formas ao impacto de um incêndio, mas é normal que sintam "tristeza, ansiedade, preocupação com o que acontece a seguir, vontade de chorar ou de bater em alguém, medo, confusão, falta de atenção, dificuldade em adormecer, dores de cabeça, vontade se isolarem dos outros ou perda de interesse nas atividades habituais".

Os pais, os professores e os educadores devem estar atentos aos sintomas, como medo ou mudança de comportamento. Por exemplo, se uma criança é normalmente extrovertida e sociável e se começar a isolar-se, alguma coisa não está bem com ela", afirmou Renata Benavente, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses, à TVI24.

Se os pais notarem essas mudanças de comportamento, devem perguntar ao filhos o que sentem e darem-lhes espaço para falarem abertamente sobre os seus sentimentos, sem os criticarem, julgarem ou os desvalorizarem.

Além de garantirem que os jovens compreendem bem o que se está a passar, os pais e cuidadores devem estar sempre disponíveis para esclarecer dúvidas e responder a todas as perguntas, sem criticar as eventuais mudanças de comportamento", ressaltou a Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Nos casos em que as crianças/adolescentes não recuperam com a ajuda dos pais, é essencial recorrer a ajuda especializada.

Conselhos para os adultos

As pessoas que passam pela experiência de um incêndio podem sentir numa primeira instância de choque "stresse, desespero e perda de controlo". Mais tarde, podem ainda surgir mudanças de comportamento ou até sinais físicos, como dores de cabeça e insónias.

É legítimo também perguntar "porquê a mim", ou sentir raiva. Para que se sintam reconfortadas, é importante seja dada alguma esperança a que passa por estas situações.

Para esta faixa etária, é importante que lhes seja dada alguma esperança de que voltar à normalidade é possível. Por exemplo, em caso de perda de casas, garantir que lhes será dada uma habitação é crucial para a reconstrução psicológica", salientou Renata Benavente.

Para superar mais facilmente ao trauma, é importante desabafar e pôr o que sentimos em palavras, mesmo que isso seja doloroso.

O primeiro passo para ultrapassar a situação é aceitar que as emoções intensas são uma resposta normal ao impacto emocional e ao stresse causado pelo incêndio", salienta o documento.

Conselhos para os idosos

Os idosos podem ficar confusos e desorientados perante um incêndio, mas, por terem mais experiência de vida, podem arranjar mais facilmente estratégias para superar as adversidades.

Os idosos, por já terem passado por várias adversidades na vida, podem ter estratégias para ultrapassar as dificuldades que apliquem a estes caos", referiu.

Em todos os casos, é crucial evitar o isolamento. Falar com outras pessoas da comunidade sobre os nossos sentimentos pode ajudar a recuperar de um trauma.

É essencial o suporte de uma boa rede de apoio (família, vizinhos, amigos) disponível para falar, controlar a estabilidade mental e ajudar a regressar à rotina", sublinhou.

Conselhos para toda a comunidade

Um incêndio pode provocar choque, ansiedade ou tristeza numa comunidade, "pelo que é importante saber o que fazer".

Deve organizar-se o apoio logístico, não criticar, participar nas manifestações comunitárias, pedir informações a quem coordena as respostas de ajuda e não esquecer de cuidar de si próprio", acrescenta a Ordem.

É normal, mesmo quem não faz parte da comunidade, sentir-se "psicologicamente afetada e apresentar reações emocionais intensas".

É importante saber que as comunidades se tornam mais fortes depois de passar por situações adversas. Por muito difícil e devastadora que seja a situação, a maior parte da população consegue regressar às suas rotinas e normalizar a sua vida", conclui o documento.

Redação / IC