Um grupo de 18 enfermeiros entregou esta quinta-feira ao Conselho Jurisdicional da Ordem dos Enfermeiros uma participação disciplinar contra a bastonária Ana Rita Cavaco.

Na participação, a que a TVI teve acesso, este grupo pede mesmo a expulsão da bastonária da Ordem.

"A violação de tais deveres deontológicos é de tal forma grave e danosa da imagem pública da Ordem e da profissão de Enfermeiro, que, no entendimento dos signatários justifica a aplicação da pena disciplinar máxima, isto é, a expulsão."

O grupo pede a "aplicação da correspondente sanção disciplinar, pela verificação de fortes indícios de violação dolosa de diversas normas legais enunciadoras de deveres deontológicos dos enfermeiros, bem como de outras normas legais" e enumeram uma lista de 58 argumentos. 

"A nossa ordem tem obrigações e não pode nenhum membro atentar contra elas (…) A bastonária tem, através de um conjunto de declarações, sistematicamente violado diversas alíneas do código deontológico e dos estatutos", explicou Manuel Lopes à TVI.

O enfermeiro, que é um dos subscritores da participação, sublinha que a bastonária "representa os enfermeiros" e que este grupo (não só de subscritores, mas de outros enfermeiros que apoiam a queixa) "demarca-se totalmente deste tipo de atitudes e linguagem".

"Nós não atacamos pessoas. Nós discordamos frontalmente de linguagem e comportamentos atentarórios da dignididade de outros seres humanos. Não nos revemos nessa posição, não entendemos que este seja um comportamento de qualquer enfermeiro, muito menos de quem tem a função de liderar a Ordem." 

Entre as declarações recentes mais polémicas de Ana Rita Cavaco, esteve uma publicação no Facebook dirigida à presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes, que, após uma alegada vacinação indevida, foi chamada pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros de "gorda fura-filas". 

Este grupo não pede frontalmente a demissão da bastonária, mas Manuel Lopes admite que o faria se fosse ele o visado.

"O julgamento deve ser feito pelos órgãos competentes, mas, se eu estivesse nesse lugar, consideraria que não tinha condições para exercer o meu mandato, depois de tudo o que aconteceu, mas isso era eu."

Na nota enviada às redações, o grupo de enfermeiros destaca ainda que "as recentes declarações da Enfermeira Ana Rita Cavaco, largamente veiculadas pela comunicação social, colocam em causa a dignidade e prestígio da Enfermagem e dos Enfermeiros".

"O momento pede rigor na discussão, elevação na ação, informação baseada na evidência para população e decisores políticos, nunca esquecendo os direitos humanos e as regras de uma sã convivência comunitária tão necessária para um bom nível de saúde e para encontramos os caminhos necessários para vencer os desafios com que nos confrontamos (como pessoas, como comunidade, como País, como Enfermeiros)."

Catarina Pereira Rita Barão Mendes / - notícia atualizada às 11:13