Os transplantes subiram no primeiro semestre do ano, com um total de 359 órgãos transplantados até final de junho, mais 60 do que no ano passado, segundo a Coordenação Nacional da Transplantação.

Os dados, revelados a propósito do Dia Nacional da Doação de Órgãos e da Transplantação, que hoje se assinala, indicam que nos primeiros seis meses do ano houve um total de 163 dadores de órgãos (dadores falecidos e dadores vivos), mais 22 do que no período homólogo de 2020, sendo que 143 foram dadores falecidos (mais 21).

Estes números comparam com o ano atípico de 2020, marcado pela pandemia de covid-19 e durante o qual caíram mais de 20% os órgãos colhidos para transplante.

Nos primeiros seis meses de 2021 foram feitos 27 transplantes cardíacos, mais 12 do que em igual período do ano passado, 201 renais (mais 33), 99 hepáticos (mais 10) e 24 pulmonares (mais cinco).

Os transplantes pancreáticos baixaram relativamente ao período homólogo, com oito realizados no primeiro semestre deste ano (menos seis).

Os dados do Instituto Português do Sague e da Transplantação (IPST) indicam, igualmente, que no primeiro semestre foram colhidos 424 órgãos (mais 78) e que a taxa de utilização foi de 82% (349 transplantados).

GNR percorreu mais de 37.000 quilómetros

Num comunicado hoje divulgado a propósito da data que se assinala, a GNR informou que este ano já efetuou 135 transportes de órgãos, empenhando 271 militares, tendo percorrido cerca de 37.342 quilómetros. No ano passado a GNR transportou um total de 240 órgãos.

"O sentimento recompensador de poder salvar uma vida humana no cumprimento deste tipo de missão, é dos sentimentos mais gratificantes que os militares da GNR podem sentir, elevando o mote de uma Guarda próxima, humana e de confiança", sublinha a corporação.

O IPST, em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Transplantação, organiza hoje uma sessão para homenagear todos aqueles que direta ou indiretamente estão envolvidos na doação e na transplantação de órgãos e “sem os quais muitos doentes não sobreviveriam”, sublinha o instituto em comunicado.

No encontro online serão discutidos os principais desafios que enfrentam os hospitais na identificação e tratamento dos dadores, na organização da colheita e no transplante de órgãos, envolvendo diversos profissionais e especialidades médicas e cirúrgicas.

Os dados do IPST relativos a 2020 espelham o impacto da pandemia, com uma quebra de quase 50% no número de dadores vivos.

O impacto da pandemia fez-se sentir sobretudo nos transplantes de fígado (-19,2%) e do rim (-26,7%).

A transplantação cardíaca, com uma evolução anual em queda desde 2013, manteve-se em 2020 próxima de 2019, com mais quatro transplantes.

Segundo os dados do IPST, havia 34 doentes em lista de espera para transplante cardíaco no final de 2020, ano em que morreram 11 doentes.

O transplante de pulmão sofreu um ligeiro impacto, com menos seis pulmões transplantados em 2020, ano em que havia 64 doentes em lista de espera e em que morreram nove doentes.

O número de pares dador-recetor inscritos no programa nacional de doação renal cruzada também diminuiu, tendo havido um cruzamento duplo a 18 de fevereiro e um quadruplo em 18 de agosto, tendo sido transplantados seis doentes.

Ordem dos Médicos destaca posição cimeira de Portugal na transplantação

A Ordem dos Médicos destacou hoje a posição cimeira de Portugal na área da transplantação a nível mundial e apelou a que a atividade no terreno seja “coordenada de forma criteriosa” para aumentar o número de transplantes com sucesso.

Sublinhando que Portugal ocupava em 2020 a 11.ª posição do topo mundial quanto ao número total de transplantes por milhão de habitantes e, no caso específico dos transplantes hepáticos, a 6.ª posição, a Ordem reconhece que a pandemia teve grandes impactos nesta atividade, mas recorda que está em “franca recuperação”.

“O número de transplantes está já em franca recuperação, com uma subida de 19% no primeiro semestre de 2021, em relação ao período homólogo de 2020”, sublinha a Ordem dos Médicos, em comunicado.

O bastonário da Ordem, Miguel Guimarães, destaca ainda que Portugal ocupa a 4.ª posição a nível mundial no que se refere à colheita de órgãos de dadores falecidos por milhão de habitantes, lembrando que o país foi pioneiro neste campo, nomeadamente com a criação do Registo Nacional de Não-Dadores (RENNDA).

Na nota, o bastonário congratula ainda o Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

“Neste dia especial e perante os dados divulgados, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, as equipas coordenadoras e as equipas de colheita e de transplante de órgãos estão de parabéns, honrando a medicina portuguesa e tornando-a num exemplo além-fronteiras”, reforça Miguel Guimarães.

/ CM