Cerca de dois mil militares, dos quais 1.609 portugueses, vão participar no exercício anual do Exército, cuja fase operacional decorre entre 12 a 23 de junho, visando a certificação da Brigada de Reação Rápida nos padrões NATO.

Com a designação "Orion 2017", o exercício começa esta segunda-feira com a receção e integração das tropas de forças estrangeiras, 130 espanhóis e 221 norte-americanos, um oficial superior das Forças Armadas do Brasil e observadores italianos.

Numa apresentação à imprensa, no Comando das Forças Terrestres, Amadora, o tenente-coronel Brito Teixeira explicou que o exercício deste ano decorre nas bases militares de Tancos, Santa Margarida, e Beja, num cenário fictício em que "a NATO aciona o artigo 5.º" do Tratado do Atlântico Norte.

Este artigo - que só foi invocado uma vez em 68 anos, em 2001, após o ataque às torres do World Trade Center, EUA - prevê que um ataque contra um estado membro é considerado um ataque contra todos, implicando o direito de legítima defesa, incluindo o recurso à força armada.

O exercício, que começou a ser desenhado em setembro de 2016, decorrerá num cenário fictício em que um país aliado, "Arland", sofre a invasão por parte de "Torrike", suscitando uma deliberação da ONU a legitimar a operação militar, de caráter multinacional e comandada por Portugal.

Num ambiente operacional que o Exército descreve como "volátil, incerto, complexo, ambíguo e urbano", o ponto alto do treino será o lançamento de dois batalhões de paraquedistas, num total de 400 militares, no dia 15.

Nesse dia, os militares embarcam em Tancos, Santa Margarida, e saltam na base militar de Beja.

A missão dos paraquedistas será circunscrever uma zona de segurança para formar o que em termos militares se designa por "cabeça-de-ponte aérea": os militares asseguram o controlo da zona para criar condições para a entrada em cena de outras forças.

Numa "operação de alta intensidade", já que se trata de zona de conflito, os militares terão de estar preparados para "montar bases de patrulha, reagir a emboscadas, identificar engenhos explosivos no terreno", exemplificou o tenente-coronel Brito Teixeira.

Esta fase da operação será apoiada por meios aéreos e anfíbios.

Antes, no dia 12, decorre um "treino cruzado" com os militares dos EUA, com alguns saltos na mesma base.

Ao longo do exercício, o Exército contará com cinco aeronaves, dos quais um C-295 da Força Aérea Portuguesa, 3 C-130, um MV-22 e 116 viaturas ligeiras.

Este exercício envolverá diretamente a Brigada de Reação Rápida do Exército visando a certificação nos padrões NATO para o empenho em missões nas organizações internacionais a que Portugal pertence, disse o tenente-coronel.

O Exército português assume-se como um "parceiro credível" em Defesa e Segurança coletiva, assegurando uma "continuidade" na qualificação desde 2015, ano em que se realizou o Tridente Juncture, um exercício da NATO que envolveu vários países e meios, frisou.

A última fase do Orion2017, já sem os militares das forças estrangeiras, decorrerá entre 22 e 23 de junho, com base no mesmo cenário de conflito, para o treino da evacuação de elementos de organizações internacionais de zonas de conflito.

Em complemento ao treino militar, o Orion2017 prevê uma componente civil, com iniciativas de divulgação das missões do Exército de apoio à população nos concelhos de Beja, Aljustrel, Vidigueira, Serpa e Ferreira do Alentejo, envolvendo mais de 60 mil pessoas.

Para esta fase, estão previstas consultas de rastreio gratuitas à população local, de várias especialidades, incluindo oftalmologia, uma das especialidades mais procuradas pela população daqueles concelhos na edição de 2016 do exercício anual do Exército.