O advogado Paulo Blanco, arguido no processo 'Operação Fizz', reiterou esta terça-feira que o ex-procurador Orlando Figueira só iria trabalhar para o Banco Privado Atlântico em Angola quando um processo contra Carlos Silva, presidente do banco, fosse arquivado pelo Ministério Público.

Paulo Blanco contou que a informação lhe foi passada por André Navarro, administrador executivo do BPA, e respondeu que não fazia ideia quando o juiz comentou que isso podia ser visto como uma forma de pressão.

Orlando Figueira foi chamado a comentar e disse que “grande parte das coisas que Paulo Blanco diz não correspondem à verdade”, acrescentando que desconhecia que Carlos Silva tinha um processo porque já tinha abandonado o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e que era falso que tivesse colaborado com o BPA em Portugal.

Paulo Blanco, acusado, em coautoria, de corrupção, branqueamento de capitais, violação do segredo de justiça e falsificação de documentos, voltou a atacar o Ministério Público, dizendo que houve discriminação no caso de um processo administrativo que envolveu o antigo Procurador Geral da República de Angola (PGRA), João Maria de Sousa e que foi arquivado.

O Ministério Público viola a lei e foi o que aconteceu no processo em que envolveu o PGRA de Angola. Essa violação da lei foi feita levando os bancos a facultarem ao DCIAP extratos bancários que o departamento continua a manter na sua posse, sem que haja processo crime”, apontou.

 

Na altura em que eu que estava a conversar com o PGRA, que é meu cliente particular, sobre o que fazer – se instaurar um processo contra o Estado ou uma participação criminal – fui proibido de contactar com ele”, adiantou, considerando tratar-se de “uma coincidência do arco da velha”.

Da parte da tarde, juiz presidente e procuradora do MP confrontaram o arguido com documentos relacionados com vários processos, nomeadamente o Banif – arquivado em março de 2010 - e o caso Portmill, relacionado com a compra de um imóvel de luxo no Estoril.

Paulo Blanco reiterou que Manuel Vicente nada teve a ver com o caso da empresa Portmill Limited nem com o Banif, negando ter feito qualquer acordo com o MP para que documentos financeiros fossem destruídos.

O arguido explicou que tinha sugerido ao banqueiro Carlos Silva que pedisse a devolução dos documentos do caso Banif e negou que tenha feito um acordo com Orlando Figueira para os destruir.

Não fiz acordo nenhum com Orlando Figueira, não fui intermediário”, afirma.

A sessão ficou também marcada pela ausência do arguido Armindo Pires por doença

O processo ‘Operação Fizz’ tem por base acusações ao ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente de ter corrompido Orlando Figueira com o pagamento de 760 mil euros para que arquivasse dois inquéritos, um deles o caso Portmill.

O ex-procurador do DCIAP está pronunciado por corrupção passiva, branqueamento de capitais, violação de segredo de justiça e falsificação de documentos, Paulo Blanco por corrupção ativa em coautoria, branqueamento também em coautoria, violação de segredo de justiça e falsificação de documento em coautoria e Armindo Pires, também em coautoria, por corrupção ativa, branqueamento e falsificação de documento.