“Não caia nisso” é o tema da campanha de sensibilização que a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) lança hoje para prevenir as quedas na população idosa.

O responsável pela iniciativa, Carlos Evangelista, ortopedista, disse à Lusa que a campanha pretende evitar problemas como fraturas, que podem levar à imobilidade e a imobilidade pode causar uma grande dependência de terceiros ou até a morte.

“Há problemas que a pessoa pode ter em si que levam à queda, chamados, problemas intrínsecos, como não vigiar a tensão arterial, não controlar a diabetes, ter tonturas, tomar mal a medicação e que são importantes identificar", explicou.

Tendo em conta que “há muitas quedas que acontecem dentro de casa”, a campanha dá alguns conselhos para as prevenir, como ter sempre atenção quando o chão está molhado, retirar tapetes que possam provocar derrapagens, ter atenção com os fios e com a desarrumação.

O responsável pela iniciativa advertiu também para a importância de “ter uma luz de presença no quarto durante a noite”, lembrando que “conhecemos a nossa casa mas ela própria encerra perigos que muitas vezes não detetamos porque nos são familiares”.

Carlos Evangelista salientou também a importância de chamar a atenção para as quedas que acontecem por fraqueza muscular.

“Muitas vezes as pessoas com alguma idade que vivem sozinhas, têm tendência a estar muito tempo sentadas e mexem-se pouco o que acaba por causar a perda da musculatura e faz com que tenham uma base de sustentabilidade menor", alertou.

O ortopedista afirmou também que “a má alimentação acaba por tirar capacidades físicas e cognitivas”, uma vez que as pessoas têm tendência a facilitar na alimentação quando vivem sozinhas, não ingerindo os nutrientes necessários.

A própria estrutura médica terá de se preparar para o “flagelo das fraturas do colo do fémur” que ocupam muitas unidades hospitalares e terá de se tornar “mais multidisciplinar”, fornecendo a melhor técnica para a recuperação dos doentes.

Carlos Evangelista alertou também que terá de haver uma grande cumplicidade entre a fisioterapia e a medicina interna, no sentido de “reequilibrar mentalmente, psicologicamente e fisicamente” as pessoas que se encontram em recuperação e que por se encontrarem debilitadas acabam por sofrer de atrofia da massa óssea ao não conseguirem motivação para reiniciar o percurso de tonificação muscular.

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