Portugal é o país europeu com menos casos de infeção por salmonela notificados nos últimos anos, mas é também um dos que teve um aumento mais significativo entre 2012 e 2016, com uma duplicação de casos.

Um relatório divulgado esta terça-feira pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) analisa as infeções por salmonela em mais de 30 países da Europa, lembrando que a salmonelose é a segunda infeção gastrointestinal mais comum e é responsável por vários surtos.

As crianças são as mais afetadas pela infeção, sobretudo até aos 4 anos, sendo os casos nesta faixa etária sete vezes mais prevalentes do que nos adultos entre os 25 e os 64 anos.

Os peritos do ECDC afirmam que esta maior prevalência nas crianças pode ser explicada com o facto de os mais novos apresentarem sintomatologia mais marcada e com um maior cuidado dos pais em encaminharem os filhos pequenos a um médico.

No último ano analisado no relatório, 2016, Portugal tinha notificados 376 casos de infeção por salmonela, o que dá uma taxa de 3,6 casos por 100 mil habitantes, quando a média dos países europeus é de 20,4 por 100 mil habitantes.

Contudo, Portugal reportou também um “aumento significativo estatisticamente” entre 2012 e 2016, passando de 1,8 casos por 100 mil habitantes para 3,6 casos por 100 mil habitantes.

Em termos brutos, Portugal tinha notificado 185 casos em 2012 e passou para 376 em 2016.

Portugal apresentou também uma “muito elevada” proporção de casos de infeção por salmonela a necessitarem de hospitalização. O relatório do ECDC indica que os países com menores taxas de notificação da doença surgem como tendo maior proporção de pessoas hospitalizadas.

Em termos globais, os 30 países analisados registaram mais de 95 mil casos de infeção por salmonelas em 2016, sendo 134 deles mortais.

O relatório do ECDC recorda o surto de salmonela em 2016 que envolveu 14 países europeus, surto esse associado a ovos oriundos da Polónia. Foram confirmados 218 casos laboratorialmente e outros 252 foram dados como prováveis,

A salmonela mantém-se como a segunda mais comum ‘zoonose’ (doença que se transmite a partir de animais) e o “significativo decréscimo” registado na Europa entre 2004 e 2013 parece ter parado nos anos mais recentes.

O consumo de ovos e de produtos à base de ovos permanece como o veículo mais comum de transmissão.

A infeção por salmonela manifesta-se geralmente por gastrenterite aguda. Só mais raramente se pode associar a quadros de infeção generalizada.