1,9% da população portuguesa desenvolveu anticorpos contra a covid-19. Esta é a conclusão de um estudo do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, desenvolvido entre setembro e outubro de 2020.

No total, mais de 13.000 voluntários ajudaram a pintar o retrato da imunidade à SARS-CoV-2, naquele que é o maior inquérito serológico sobre a covid-19 em Portugal, até à data.

O estudo explica que a produção de anticorpos aumenta a partir do momento da infeção e podem ser necessárias duas semanas para os detetar numa amostra de sangue através de um teste serológico.

Ao estimar uma prevalência de 1,9% de seropositivos na população portuguesa, o Painel Serológico Nacional dá indicação de que o número de habitantes que já terão tido contacto com o vírus ascenderia até outubro a cerca de 195.000 pessoas, cerca do triplo do número de casos positivos registados.

Jovens têm níveis superiores de imunidade contra a covid-19

O estudo conclui também que os níveis de imunidade são superiores no grupo etário dos jovens com menos de 18 anos, onde cerca de 2,2% das pessoas apresentou anticorpos à covid-19.

Porém, o grupo dos mais jovens das regiões com alta densidade populacional destaca-se com 3,2%, uma taxa pontual quase 10 x superior à dos jovens das baixas densidades populacionais, sendo que do ponto de vista estatístico esta diferença é de pelo menos o dobro", destaca o estudo.

Mais imunidade nas regiões mais populosas 

Também a densidade populacional das regiões tem influência nos resultados. A probabilidade de contacto com o vírus é maior nas regiões de densidade populacional superior a 500 habitantes por quilómetro quadrado.

De acordo com o estudo, 2,5% das pessoas que moram na zona da Grande Lisboa ou do Porto, já desenvolveram anticorpos contra a covid-19.

Quem teve familiares infetados tem mais anticorpos

Por outro lado, a proporção de seropositivos é superior entre os participantes que tiveram alguém do seu agregado familiar diagnosticado com covid-19.

Prevalência da infeção em Portugal

Entre as outras características dos indivíduos, as que poderão ter mais impacto no que refere à probabilidade de ter tido contacto com o vírus são a situação face ao trabalho e o regime de trabalho, onde os dados da amostra estão em linha com os da população, e a dimensão do agregado familiar onde os dados da amostra mostram menos agregados unipessoais que o padrão existente na população.

Já quanto ao género, não se registam diferenças nos níveis de imunidade entre homens e mulheres.

O Painel Serológico Nacional é resultado de uma parceria entre o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), a Sociedade Francisco Manuel dos Santos (SFMS) e o grupo Jerónimo Martins (JM), que conta ainda com o apoio institucional da PORDATA.

Os resultados deste estudo são diferentes dos apresentados pelo Instituto de Saúde Ricardo Jorge que concluiu, em julho, que 2,9% da população portuguesa já teria anticorpos contra o novo coronavírus.
 

Rafaela Laja Redação