A associação Abraço revelou esta quinta-feira que aguarda há 10 meses pelos equipamentos de proteção individual que deviam ser assegurados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), alertando que a falta deste material coloca em risco profissionais e utentes.

A presidente da associação, Cristina Sousa, explicou à agência Lusa que a entrega deste material ou verbas dirigidas para esse fim devia ser feita pela DGS, ao abrigo do Programa Nacional para a infeção VIH/SIDA, que financia “uma série de projetos da Abraço, nomeadamente o apoio domiciliário, o lar residencial e os centros de rastreio que estão espalhados pelo país”.

Segundo Cristina Sousa, a entrega dos equipamentos de proteção individual (EPI) estava prevista acontecer deste o início da pandemia em março, mas ainda não ocorreu. Isto implica que a Abraço tenha que comprar EPI para os funcionários, implica que a Abraço nem sempre utilize os EPI adequados”, disse, exemplificando que os funcionários deviam utilizar uma máscara P2, mas em vez disso usam uma máscara cirúrgica. Cristina Sousa adiantou que para a associação não gastar tanto dinheiro, “que não tem”, solicita donativos em EPI a empresas, mas não sabe se são os mais seguros. 

Segundo a responsável, a não entrega deste equipamento por parte da DGS, além de colocar em risco profissionais e utentes, obrigou a Abraço a ajustar o seu orçamento para adquirir, de forma regular, os equipamentos para as diferentes equipas de trabalho, que todos os dias permitem dar resposta às diferentes necessidades dos pacientes VIH/sida.

“A situação agrava-se num ano em que a própria associação, devido à situação pandémica, viu reduzidas as suas fontes de rendimento, uma vez que ficou impedida de realizar eventos, como é o caso da conhecida Gala Abraço, que acontece todos os anos, no dia 1 de dezembro”, refere a associação.

Sabendo nós que a pandemia está para durar a resposta é tardia, mas se não vem rapidamente vai ser muito complicado para nós”, disse Cristina Sousa, adiantando que o lar da Abraço tem oito pessoas e acompanham cerca de 120 pessoas diariamente em apoio domiciliário no Porto e em Lisboa.