Henrique Oliveira, professor do departamento de matemática do Instituto Superior Técnico, considerou esta segunda-feira que, face aos números “promissores” que a pandemia tem vindo a apresentar em Portugal, o país poderá começar a desconfinar no início do mês de março, entre o dia 5 e o dia 10.

Em entrevista à TVI24, o matemático recordou que, em comparação com os dados mundiais, os números portugueses ainda não são os melhores, mas que os números que resultam do confinamento “são promissores”. Para Henrique Oliveira, o modelo de desconfinamento deve ser ponderado já no final deste mês.

O confinamento está a resultar francamente bem e nós estamos a descer a uma taxa superior ao esperado. A situação vai ter de ser ponderada no final do mês, mas podemos começar a pensar em desconfinar no final do mês, gradualmente e com muita prudência”, explicou o professor universitário.

Esta segunda-feira, Portugal registou mais 90 mortes e 1.303 novos casos de infeção por covid-19, de acordo com os mais recentes dados da Direção-Geral da Saúde. Trata-se do número mais baixo de óbitos desde 5 de janeiro. 

Esta melhoria fez com que Henrique Oliveira tivesse de recalcular o modelo matemático que previa o começo do processo de desconfinamento para o meio do mês de março.

O estudo inicial apontava para que fosse feita uma análise muito rigorosa da situação no dia 15 e 22 de março. Como a descida está a ser muito favorável, podemos antecipar isso entre dia 5 e 10 de março para pensarmos o que é que podemos fazer na Páscoa”, frisou.

No entanto, o professor apela à prudência, sublinhando que o país arrisca-se a ter uma “explosão terrível” do número de casos se o desconfinamento for apressado.

Os números são promissores. Com um desconfinamento prudente e progressivo, nós vamos ter uma grande abertura no período da primavera e do verão e, com máscara e distanciamento, desfrutar de umas boas férias”, garantiu.

Sobre as causas que levaram a esta melhoria significativa dos números em Portugal, Henrique Oliveira destacou a combinação entre o confinamento, o encerramento das escolas e o receio gerado entre os portugueses devido aos elevados números de mortos que se registaram no país.

Questionado sobre se as escolas devem ser as primeiras a abrir, Oliveira rejeitou essa ideia.

Num estudo recente, com os dados de 175 países, o fecho das escolas é a medida que tem mais efeitos na contenção do vírus”, explicou. Por isso, insiste que os “jovens do Ensino Superior e do Ensino Secundário têm mais autonomia e não estão a interferir tanto com a dinâmica familiar, esses deviam entrar no ensino presencial mais tarde.”