A Câmara de Lisboa regista atualmente 33 casos de infeção por covid-19 “ativos”, num total de 53 casos positivos, 20 dos quais recuperados, anunciou hoje o vice-presidente da autarquia. 

João Paulo Saraiva avançou, em reunião pública do executivo municipal, que o aumento dos números se deve a um foco no posto de limpeza de Telheiras, não adiantando, porém, quantos trabalhadores daquele local estarão infetados.

O município de Lisboa tinha até há uma semana números bastante abaixo dos números nacionais, mas houve um foco que foi já tratado, avaliado, estudado e está a ser seguido”, afirmou o autarca, em resposta a uma pergunta do vereador do PSD João Pedro Costa. 

Questionada pela Lusa, fonte do gabinete de João Paulo Saraiva (Cidadãos por Lisboa, eleito pelo PS) disse que os 33 casos dizem respeito ao universo total de trabalhadores da câmara e das empresas municipais - cerca de 12 mil - mas não adiantou o número de infetados no posto de limpeza de Telheiras.

Segundo o vereador, está em causa “um grupo de pessoas” que não terá seguido as regras estabelecidas, situação que não foi “devidamente gerida pelos dirigentes” e que “está a ser avaliada e acompanhada”.

Relativamente à política de testes do município, João Paulo Saraiva recordou que segue a linha recomendada pela Direção-Geral da Saúde, não adiantando quantos trabalhadores da autarquia já foram testados como perguntou o vereador social-democrata.

O vice-presidente da câmara referiu ainda que o município faz um “acompanhamento trabalhador a trabalhador (...) até que passe a recuperado”.

João Paulo Saraiva referiu também que está a ser feita uma “campanha interna nalgumas áreas”, onde foi detetado que existe “uma maior tranquilidade por parte das pessoas”, de modo a evitar a propagação do vírus.

Em 26 de maio, a autarquia lisboeta registava 11 trabalhadores infetados pelo novo coronavírus, dos quais nove casos estavam recuperados e dois “ativos”.

Medina diz que "há convergência total" com Governo no combate à pandemia

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse hoje que “há convergência total” com o Governo no combate à pandemia de covid-19, recusando que as críticas que fez à atuação das autoridades de saúde correspondam a uma “ferida”.

Nada disto corresponde a uma ferida e a uma fissura, há uma convergência total entre Governo, Câmara de Lisboa, todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa, a fazer o maior esforço possível para enfrentar esta pandemia”, afirmou Fernando Medina, durante a reunião pública da Câmara de Lisboa, que decorreu por videoconferência.

Contudo, salientou, essa convergência não inibe a utilização da palavra de uma forma “muito direta, objetiva, construtiva” para a resolução de “pontos críticos” que é preciso melhorar para a “eficácia coletiva na resposta”.

Na terça-feira, no seu espaço de comentário político na TVI, Fernando Medina criticou a atuação das autoridades de saúde no combate à pandemia de covid-19 dizendo que “com maus chefes e pouco exército não é possível ganhar esta guerra”.

Posteriormente, numa entrevista ao ‘podcast’ do PS “Política com Palavra”, o autarca, que é também presidente da Área Metropolitana de Lisboa, esclareceu que as suas críticas visaram "especifica e circunscritamente" as chefias regionais e a equipa que está no terreno na Grande Lisboa.

Hoje, depois de questionado pelos vereadores do CDS-PP, do PCP e do PSD sobre essas declarações, Fernando Medina reconheceu que suscitaram “múltiplas interpretações”, mas especificou que o que disse foi no sentido de que é preciso, de forma rápida, testar, ter resultados, fazer os rastreios e assegurar que os infetados têm condições para ficar em isolamento.

Se temos de fazer isto rapidamente, temos então de suprir as falhas que estão neste momento a impedir na região de Lisboa e Vale do Tejo que isto seja feito com eficácia, foi este o sentido das minhas declarações públicas”, assinalou, notando que ainda não encontrou nenhum especialista que discordasse dessa estratégia.

O que afirmo é que precisamos de ter os recursos necessários no terreno para que tudo isto ocorra em tempo, não vi ninguém criticar isto, Aliás, vejo com agrado que tem havido reforços sucessivos desta capacidade operacional no terreno”, acrescentou, insistindo que defende a existência de mais recursos e que todo o processo se desenvolva de forma o mais rápida possível.

Reiterando que “é preciso haver boas chefias nos sítios certos”, principalmente numa operação de “grande exigência” como a de combate à pandemia, em que “tudo tem de ser feito com muita rapidez e muita coordenação”, o autarca salientou ainda que um dos maiores desafios da situação de Lisboa é que as 19 freguesias de cinco concelhos (Lisboa, Loures, Amadora, Sintra e Odivelas) que continuam em situação de calamidade têm quase um milhão de habitantes, correspondendo a zonas com “fortíssimas ligações e permeabilidades”.

Fernando Medina recordou também que foi proposta ao Governo a articulação das equipas de saúde pública com os sistemas de proteção civil dos municípios e que essa solução já está a funcionar no terreno.

Desta forma, as equipas de saúde pública deixaram de estar sozinhas a fazer um trabalho muito vasto que incluía, por exemplo, arranjar alternativas habitacionais para as pessoas precisassem de estar em isolamento e não tivessem condições para o fazer.

Nós temos sistemas de proteção civil, todos os municípios têm, com grande capacidade de mobilização de recursos que podíamos apoiar essa tarefa”, afirmou Fernando Medina, insistindo que tem “um sentido da urgência do tempo”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 512 mil mortos e infetou mais de 10,56 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.579 pessoas das 42.454 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Na quarta-feira, a região de Lisboa e Vale do Tejo registou quase 70% dos novos casos de covid-19, com 218 das 313 infeções reportadas desde terça-feira no país.

 
/ BC