O número de infeções por covid-19 em Portugal está a diminuir mas temos de continuar em alerta e não podemos facilitar. Esta é a convicção do médico de saúde pública Bernardo Gomes.

Em declarações à TVI, o médico sublinha que, antes de mais, este é o momento para pensar nos erros cometidos para que não se repitam:

"Nós acabámos de passar uma prova brutal, passámos o pico das infeções desta terceira vaga, mas parte disto seria perfeitamente evitável. Temos de ter noção de onde é que nós errámos e pensar como é que podemos viver o nosso quotidiano com este vírus sem ter de passar por este aperto", diz, uma vez que não tem dúvidas de que o vírus vai continuar a "fazer parte das nossas vidas, de alguma forma".

"Tenhamos noção: os números hoje são fracamente positivos" mas morreram mais de 200 pessoas, diz Bernardo Gomes. "A situação nos cuidados intensivos ainda é bastante dramática e não nos podemos esquecer que temos muitos profissionais de saúde a dar o litro há muitas semanas, portanto, tudo aquilo que nós possamos fazer para aliviar é bom que o façamos".

O mais importante é tomar já "medidas preventivas e de alguma forma conseguir controlar isto antes que sejamos colocados sobre [nova] pressão extraordinária".

Na sua perspetiva, há três aspetos que é urgente melhorar:

Primeiro, "o pilar da comunicação de risco ainda não está cumprido, espero que haja ajustes, até para lidar com o desconfinamento", diz. A diminuição de casos vai continuar "se as pessoas continuarem a ajudar". É preciso evitar contactos e respeitar as bolhas sociais. "É preciso ter noção de quão frágil é este equlíbrio e quão demorado é o processo de voltarmos à normalidade. Ainda há 900 pessoas em cuidados intensivos."

"A segunda questão é a testagem alargada, estamos a testar abaixo do que devíamos testar", afirma.

O terceiro aspeto "é o rastreio de contactos, temos de ter capacidade de responder em 24 horas ou menos. temos de diminuir o tempo entre a deteção de um situação de risco e tomar medidas assertivas. Podemos fazer melhor do que isto."

Maria João Caetano