O enfermeiro Hugo de Sá considera “um pouco assustador” trabalhar como enfermeiro, nos últimos dias, em que a afluência de doentes covid-19 tem vindo a crescer de forma considerável, levando a situações muito difíceis nos hospitais.

O número de doentes que chega aos hospitais e fica internado, é muito superior aos doentes que estão a ter alta”, revelou o enfermeiro.

O profissional de saúde deu conta também da elevada carga de trabalho a que os enfermeiros do seu serviço estão sujeitos, revelando que há casos de pessoas a fazer “três ou quatro turnos” semanais a mais.

As pessoas têm de ter medo. Esta doença não afeta só os idosos, afeta também as pessoas saudáveis”, explicou.

A TVI ouviu também o relato da enfermeira Carmen Garcia, uma jovem que tinha tomado a decisão de deixar a enfermagem no início de 2020, mas a quem a pandemia trocou as voltas e a “obrigou” a voltar à prática.

A profissional de saúde afirmou recear que Portugal “não esteja no planalto”, mas sim que tenha batido no teto da capacidade de testagem.

Nós estamos a testar todos os dias, no máximo de horas humanamente possível e as pessoas não param de chegar. Não sei até que ponto conseguimos aumentar mais a capacidade de testagem. Receio que tenhamos atingido o máximo”, frisou.

Carmen Garcia apontou para a falta de recursos humanos como o maior problema no combate à pandemia e não a falta de camas.

“Se o problema do combate à pandemia fosse a falta de camas, o IKEA resolvia a pandemia”, afirmou.