As crianças até aos nove anos são o grupo etário com maior incidência, indicou Pedro Pinto Leite, da Direção-Geral da Saúde (DGS), no arranque da reunião de especialistas no Infarmed, em Lisboa, de balanço da situação epidemiológica em Portugal, que se encontra atualmente na quinta fase da pandemia, com 203 casos por 100 mil habitantes.

Seguem-se as faixas etárias dos 20 aos 29 anos e dos 30 aos 39 anos.

No que respeita a internamentos, a faixa etária mais afetada é, atualmente, a dos 60 aos 79 anos, seguindo-se as pessoas com 80 ou mais anos. Já em unidades de cuidados intensivos regista-se uma ligeira subida de doentes com idades entre os 50 e os 60 anos.

Relativamente à mortalidade no país, há um aumento de 41% no número mortos.

Na última semana foram realizados 277 mil testes, número superior às últimas três semanas.

“Tivemos quatro grandes fases pandémicas e Portugal encontra-se, de momento, na quinta fase pandémica, até ao momento com um impacto na gravidade e na mortalidade inferiores às fases anteriores, ainda que mereçam alguma atenção especial”, adiantou Pedro Pinto Leite.

Linhas vermelhas podem ser atingidas em duas semanas

Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, falou sobre os impactos da vacinação contra a covid-19 na população, antecipando que as linhas vermelhas podem ser atingidas em duas semanas se o país mantiver a tendência crescente: a linha dos 240 casos por 100 mil habitantes deverá ser atingida em menos de duas semanas e a dos 480 e 960 atingidas em um a dois meses.

Face a estes cenários, "maior cobertura vacinal, significa menor mortalidade", explicou o especialista, avançando que “se não houvesse vacinação, na população dos 65-69 haveria 119 óbitos por 100 mil habitantes, em vez dos 13 que são registados atualmente. A redução é, assim, de 90%. No caso do grupo etário dos 80 ou mais anos, o esquema de vacinação permitiu que os valores baixassem de 217 para 72.

Baltazar Nunes explicou também que se justifica um reforço da vacinação devido à "perda de efetividade das vacinas". 

Efetividade das vacinas contra a covid-19

"Atinge-se um máximo entre os 14 e os 21 dias após a vacinação completa", disse Ausenda Machado, analisando que "144 a 149 dias após o esquema completo, a efetividade reduz 47%", ou seja, cerca de cinco meses depois.

No entanto, nas faixas etárias mais jovens esta efetividade é maior, de 70%, para o mesmo período, sublinhou a especialista do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Contra a hospitalização, “a efetividade das vacinas é superior a 80%" e varia conforme a idade, sendo os valores mais elevados entre a população dos 30 aos 39 anos e registando-se um declínio a partir dos 60.

Portugal preparado para 460 mil inoculações por semana

O Coronel Carlos Penha-Gonçalves, do Núcleo de Coordenação do Plano de Vacinação contra a covid-19, avançou que Portugal está preparado para inocular 460 mil pessoas por semana.

O plano, que decorrerá entre setembro e dezembro, deverá afetar um total de 4,5 milhões de pessoas.

"Temos 40% de vacinação da população alvo em território nacional, com uma adesão de 80%", explicou o coronel, avançando que está em cima da mesa que haja um alargamento da vacinação da população, priorizando a "mais frágil primeiro".