Em janeiro, Portugal registou 5.576 óbitos por covid-19. Por dia, morreram cerca de 180 pessoas devido ao SARS-CoV-2, em média. Na mortalidade total, o país registou cerca 19 mil mortes, só nos primeiros 30 dias de 2021. O novo coronavírus foi responsável por uma em cada quatro funerais.

O primeiro mês deste ano fica ainda marcado pelo acréscimo repentino e quase exponencial do número de novos casos de infeção. O pico registou-se no dia 28 de janeiro, com 16.432 novos contágios. Nas primeiras quatro semanas de 2021, foram detetados mais de 300 mil casos de covid-19.

Agora, depois de um novo confinamento geral ter sido decretado, os dados pandémicos começam a entrar em queda. Na segunda-feira, Portugal voltou a registar menos de 100 mortes diárias por covid-19, pela primeira vez, em 39 dias.

Apesar dos efeitos positivos do confinamento, que provocou uma diminuição nas admissões hospitalares, o número de doentes a necessitarem de ser internados nos cuidados intensivos mantém-se elevado. Esta pressão nas unidades de medicina intensiva só deverá baixar a partir das próximas duas semanas, como referiu à TVI o coordenador de CRe ECMO do Hospital de São João,

Aquilo que assistimos na minha unidade é ainda uma grande sobrecarga assistencial, com doentes muito graves. Doentes jovens. Temos neste momento um doente com 28 anos, sem doenças associadas significativas, que está em ECMO e com covid-19 grave. Ainda temos essa grande sobrecarga assistencial. Claro, que notamos o alívio. Há menos entradas. Temos uma menor pressão no lado das admissões”, explica Roberto Roncon, coordenador CRe ECMO do Hospital de São João

No entanto, Roberto Roncon alerta que, apesar do aparente controlo pandémico dos últimos dias, é imperativo que o desconfinamento não seja acelerado.

O médico intensivista acredita que o país se encontra numa fase crucial, que pode facilmente retroceder para um cenário semelhante ao registado em janeiro.

Ainda não está virada a página. Isto, é importante dizer. Qualquer decisão menos sensata, nesta fase, pode deitar tudo a perder e voltarmos a uma situação muito delicada”, avisa o médico intensivista.

O clínico do Hospital de São João considera que só à uma maneira de a humanidade alcançar o “antigo normal”: a campanha de vacinação ser bem sucedida.

Roberto Roncon reitera que, enquanto a imunidade de grupo não for atingida, o distanciamento social e as máscaras vão prevalecer no quotidiano dos portugueses.

Enquanto não existir imunidade de rebanho. Vamos ter, mesmo após o desconfinamento, que manter as regras de distanciamento social e o uso da máscara. Não vamos ter o regresso à normalidade, enquanto esta campanha de vacinação não chegar ao fim”, refere Roberto Rocon.