Como é que Portugal e os portugueses estão a chegar à segunda vaga da pandemia e que cenários podemos antecipar para as próximas semanas? O pneumologista Filipe Froes respondeu a estas questões, esta segunda-feira, em entrevista com Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI.

O diretor-geral da Saúde do Reino Unido afirmou que o vírus não está a dar sinais de estar mais fraco, em comparação com o verão. Para Filipe Froes, essa situação “era previsível”, uma vez que é um vírus que não sofreu mutações quanto à sua transmissibilidade e severidade.

O que mudou foi a nossa saturação. Ficámos fartos das medidas do confinamento”, afirmou o pneumologista. “Ficámos fartos do impacto que teve nas nossas vidas e baixámos as guardas.”

Filipe Froes reforçou esta ideia, sublinhando que o vírus “faz sempre o mesmo”, nós é que, lentamente, ficámos indiferentes e “relaxamos as nossas guardas”.

Apenas 11% dos contágios atingem a população com idade superior aos 70 anos. Filipe Froes explica este fenómeno, que não considera ser exclusivo a Portugal, com a atual política de testagem.

No início, a população testada era, maioritariamente, doentes hospitalizados. Agora, ao testarmos mais pessoas, “vamos encontrar mais pessoas jovens infetadas”. No entanto, o especialista relembra que existem doentes graves “em todos os grupos etários”.

Sobre a mortalidade, o pneumologista considera ser cedo para “fazer contas”, apesar de considerar a taxa de mortalidade de 2,8% “elevada”.

Tem vindo a descer. À medida que a pandemia foi avançando, a nossa capacidade de intervenção tem vindo a melhorar indiscutivelmente”, explicou. “Antigamente não sabíamos tratar tão bem e havia receito de utilizar alguns medicamentos.”

No entanto, Filipe Froes deixa o alerta: os números vão continuar a aumentar.

A partir de uma certa altura, mesmo com novos casos de pessoas mais jovens, nós começamos a pôr em risco as populações mais vulneráveis”, frisou. “Podemos ter cada vez menos capacidade de proteger os mais fracos.”