O virologista Pedro Simas considerou esperado o aumento do número de casos de covid-19, que hoje atingiu um recorde de 1.646 novas infeções, e insistiu em que se cumpram as normas de proteção. O especialista lembrou, no entanto, que pode existir um desfasamento entre o momento em que uma pessoa sabe que está infetada e um possível internamento, pelo que a situação poderá tornar-se “muito complicada daqui a duas semanas”.

Portugal registou hoje mais cinco mortos relacionados com a covid-19 e um número recorde de 1.646 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, em março, este é o maior número de casos de infeção. O segundo maior registo aconteceu a 10 de abril, com 1.516, e o terceiro mais recentemente, nesta sexta-feira, com 1.394 novos casos.

Na ótica do especialista Pedro Simas, “isto é completamente esperado, a causa é completamente sabida”.

A causa deste aumento é devida ao aumento do movimento das pessoas, o retorno à vida ativa, agora pode estar potenciado pela não adesão às regras ou não, e é isso que temos de aferir e é aí que temos de fazer o nosso melhor”, sublinhou.

Apesar de se mostrar preocupado com os números conhecidos, considera que este recorde “não é alarmante”, quando os dados portugueses são comparados com o que se passa na Europa.

“Neste caso é uma coisa mais generalizada a nível da Europa toda. Não há nada identificado, o que há identificado é o retorno à vida normal”, precisou, notando que na segunda vaga da covid-19 “não está a haver as complicações que houve na primeira, porque os países prepararam-se”.

Identificando que pode existir um desfasamento entre o momento em que uma pessoa sabe que está infetada com o novo coronavírus e um possível internamento hospitalar, o virologista admite, porém, que a situação poderá tornar-se “muito complicada daqui a duas semanas”.

Para evitar uma complicação da situação nacional, Pedro Simas defendeu que é preciso “tentar controlar as zonas mais complicadas” e insistiu no cumprimento das regras decretadas e divulgadas amplamente pela DGS, como o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social.

O especialista considerou que, com a higienização das mãos e o distanciamento social, “a máscara é a ferramenta mais importante no controlo da disseminação” do vírus.

“Sempre que se tomam medidas mais apertadas de uso da máscara, de distanciamento social ou físico, que é a regra dos ‘três cês’, sempre que se usam essas medidas, consegue-se controlar a propagação do vírus”, frisou Pedro Simas, salientando igualmente que “é muito importante que o povo português todo tenha consciência de que é necessário aderir às regras”.

O especialista assinalou ainda que, “se isto se complicar muito, a máscara é a ferramenta mais importante no controlo da disseminação” do vírus, considerando ser uma “questão de consciência, de responsabilidade civil, de cidadania proteger os grupos de risco, e a máscara é o mais importante nisso”.

O investigador salientou a necessidade de se “tentar tudo para proteger os grupos de risco”, porque se as infeções passarem “de um determinado número, é impossível proteger os grupos de risco, porque há tanto vírus que vai extravasar” para os que estão mais suscetíveis à doença.

Pedro Simas defende, porém, que o país não deve confinar de novo devido ao “impacto muito grande” que essa medida tem para as pessoas, especialmente na saúde.

“O que eu sei como virologista é que temos de aderir às regras, e temos de apertar a nossa malha” de contactos, frisou Pedro Simas, mostrando-se esperançoso em que “este número baixe”, e defendendo que é preciso “encontrar o ponto de equilíbrio”, para que não seja ultrapassado “o ponto de rutura” do Serviço Nacional de Saúde.

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