O médico de família, Rui Nogueira, considerou, esta quinta-feira, na TVI24, que o Conselho de Ministros deveria endurecer as medidas de contingência para travar a covid-19, sublinhando que a situação no terreno está a agravar-se e que Portugal aparenta estar a entrar “numa terceira onda” da pandemia.

Temos de ser muito mais incisivos na população de risco. Ou seja, a população idosa. Não só os idosos que residem em lares, mas sim toda a população idosa”, explicou.

Portugal tem cerca de dois milhões de idosos, 100 mil dos quais habitam em lares. Rui Nogueira considera que, dadas as circunstâncias, estas pessoas precisam de um conjunto de medidas de apoio, como a entrega de alimentos, aquecimento, medicamentos e outros bens, para que seja possível “evitar o caos nos hospitais”.

Devíamos ter planeado mais a resposta à segunda vaga e ao inverno. O inverno está aí, as temperaturas baixas estão aí. O agravamento das doenças relacionadas com o frio, a juntar à covid-19, causam uma pressão muito grande sobre o Serviço Nacional de Saúde”, referiu. “Precisamos de mobilizar meios, precisamos de mobilizar muitos meios.”

Nos Centros de Saúde, onde o médico trabalha, a situação é “difícil”, apesar de a situação variar de sítio para sítio do país. No entanto, Nogueira admite que, caso nada seja feito, o panorama poderá ficar “muito difícil em todo o país”.

Sobre se Portugal deve voltar a implementar medidas mais restritivas de controlo da pandemia, o clínico foi inequívoco.

Temos de admitir o confinamento, sim. Não podemos admitir que haja uma vida normal de contacto social. As pessoas não podem estar juntas umas das outras. O isolamento tem de ser rigorosíssimo”, salientou.

Rui Nogueira admite que, na grande maioria dos casos de infeção abaixo dos 60 anos, a doença desenvolve-se “de forma benigna”, no entanto, sublinha que o risco está em contagiar terceiros.

Nós temos uma população idosa muito significativa. Somos dos países da Europa com mais idosos. E a agravar essa situação, são idosos pobres. Estamos muito expostos. 95% dos doentes covid não precisam de ir ao hospital. Devem ficar em casa isolados. Cada um dos dez milhões de portugueses tem de controlar o seu caso”, sublinhou o especialista.

O médico de família alertou ainda para a situação de outros doentes que estão a ver as suas consultas e tratamentos adiados devido à covid-19, apelidando a situação de “insustentável”.