O alívio das medidas restritivas, numa altura em que o plano de vacinação está em curso, mas o seu ritmo ainda é lento, podem levar Portugal a atravessar uma quarta vaga de covid-19.  As conclusões são de um estudo intitulado “Controlling the pandemic during the SARS-CoV-2 vaccination rollout: a modeling study” realizado por seis investigadores portugueses e holandeses que traçam quatro cenários possíveis.

Num primeiro cenário e sem quaisquer medidas de restrição, as previsões apontam apontam para mais de 58 mil hospitalizações ao longo do ano, o que poderia levar a uma maior pressão sobre o sistema de saúde.

De acordo com o relatório, e num segundo cenário, com medidas semelhantes às do outono de 2020 - numa altura em que todos os estabelecimentos de ensino ainda estavam abertos - as conclusões preveem uma quarta vaga já em maio. Quanto aos internamentos, poderiam mesmo atingir os 9.000 até ao início de janeiro do próximo ano.

Há uma fracção ainda muito significativa de portugueses que pode contrair a infecção pelo novo coronavírus  e essa fracção é suficientemente grande para virmos a ter uma quarta onda, um ressurgimento da infecção, caso o desconfinamento ocorra demasiado depressa relativamente ao processo vacinal”, explicou o epidemiologista e co-autor do estudo Manuel Carmo Gomes ao Público.

Já num outro cenário, e se fossem adotadas medidas semelhantes às do verão passado, será possível evitar uma quarta vaga, mas neste caso com duas situações a ter em conta: se as restrições continuarem a ser implementadas até que se vacine uma parte significativa da população.

A reabertura total das escolas, nomeadamente do ensino secundário, “não pode acontecer demasiado cedo e na minha opinião vai ser”, defendeu em declarações ao mesmo jornal.

Temos aqui duas forças contraditórias: a vacinação, que protege, e o desconfinamento, que aumenta o número de contactos. Uma forma de evitar (uma nova vaga) seria acelerar a vacinação”, mas acabou por questionar se existem doses suficientes para isso.

Pandemia controlada em fevereiro

Os investigadores puseram ainda outro cenário em cima da mesa: sem a existência de uma nova vaga, suportada numa reabertura global, a pandemia poderá ficar controlada em fevereiro de 2022.

Os investigadores lembram que durante o primeiro confinamento - entre março e maio de 2020 - a adoção das medidas restritivas fez diminuir os contactos diários de 12,6 para 4,2. No entanto, mas se começou a desconfinar, esse indicador subiu ligeiramente para 5,9 e logo a seguir, quando as escolas reabriram, disparou para 7,6.

Poucas semanas depois do Natal, em janeiro, Portugal renovou sucessivos máximos no número de infeções e mortes. O número de novos casos chegou a passar os 16 mil e o de óbitos os 300.

Lara Ferin