A Direção-Geral de Saúde admite que está a estudar a utilização de máscaras por crianças a partir dos seis anos e ao ar livre. A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, admitiu, esta sexta-feira, na conferência de imprensa em que faz o ponto de situação da pandemia em Portugal, que estão a "revisitar a situação".

Nós estamos, neste momento, a revisitar as máscaras em três aspetos que me parecem importantes”, começou, explicando que um desses aspetos é a sua utilização em espaços públicos.

A diretora-geral sublinhou, no entanto, que essa possibilidade deve ser "avaliada com bom senso", tendo em conta o risco e a proporcionalidade, uma vez que em determinados espaços e situações não se justifica.

Ir para uma rua movimentada de uma cidade é diferente do que passear o cão às 22:00 numa zona não movimentada. Temos de ter esse bom senso e esse sentido de proporcionalidade”, ilustrou.

Os outros dois aspetos relacionados com o uso de máscara que a Direção-Geral da Saúde (DGS) está a rever dizem respeito às crianças e aos diferentes tipos de máscara.

Sobre o primeiro, Graça Freitas referiu uma nova orientação da Organização Mundial da Saúde, divulgada na segunda-feira, que aconselha o uso de máscaras nas escolas a crianças entre os 6 e os 11 anos.

Em relação aos diferentes tipos de máscara, a diretora-geral referiu que estão a ser analisados novos estudos sobre o tema, adiantando que, mesmo que não seja criada uma norma a esse respeito, a DGS vai divulgar informação sobre a eficácia de determinadas máscaras, de forma a “permitir às pessoas utilizar as máscaras que têm à sua disposição de forma informada”.

Regras para as escolas podem ser revistas

Graça Freitas admitiu também que ainda não estão fechadas as diretrizes para o regresso às aulas e concretamente para o funcionamento das escolas e que também esse assunto "está a ser revisitado".

É normal que aquelas regras gerais que poderão ser aplicadas em condições ideais possam ter que ser revisitadas para encontrar soluções alternativas para eventuais problemas. Uma coisa são as orientações, outra é a capacidade de operacionalizar essas orientações”, reconheceu.

 A diretora-geral da Saúde justificou a data apontada para o regresso à situação de contingência em Portugal continental com o início do ano letivo, que vai gerar “um movimento social em massa”. O Governo anunciou na quinta-feira que durante a próxima quinzena a generalidade de Portugal continental continuará em alerta e a Área Metropolitana de Lisboa em contingência, passando todo o continente à situação de contingência em 15 de setembro.

Questionada sobre os critérios para a escolha desta data, Graça Freitas referiu o início do próximo ano letivo, que arranca entre 14 e 17 de setembro com a retoma das atividades presenciais.

O que vai acontecer no dia 14 [de setembro] são milhões de pessoas que retomam a sua atividade letiva, isto vai gerar um movimento populacional bastante intenso”, afirmou durante a habitual conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica em Portugal.  

Segundo a diretora-geral, a reabertura das escolas vai juntar muitas pessoas e, partindo do “princípio da precaução”, é necessário acautelar aquilo que será “um movimento social em massa” com o reforço das regras.  

São os alunos, os professores, os funcionários, mas também quem cuida destas crianças e destes jovens e os vai deixar à escola”, acrescentou.

Na quinta-feira, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, disse que a decisão se prende também com a necessidade de preparar o outono e o inverno, antecipando que na semana que se inicia em 07 de setembro serão anunciadas as medidas que passarão a estar em vigor a partir da última quinzena desse mês.

No entanto, acrescentou, os Ministérios da Educação e da Saúde estarão disponíveis para apoiar as escolas naquilo que possa vir a ser a necessidade de implementar soluções alternativas, por exemplo, para o caso de alunos e professores pertencentes a grupos de risco.

Graça Freitas considerou ainda que, provavelmente, a operacionalização das orientações da tutela terá de ser revisitada e adaptada ao longo do ano letivo, explicando que “há coisas que só se podem verificar quando são implementadas”.

60 lares com utentes infetados

Portugal tem 60 lares com utentes com covid-19, num total de 523 idosos e 224 funcionários infetados com o novo coronavírus, revelou a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, também na conferência de imprensa. 

Temos a indicação que há 60 estruturas residenciais para idosos com utentes positivos, o que representa 2,4% do total. Há 523 utentes e 224 funcionários infetados", afirmou Jamila Madeira na habitual conferência de imprensa para atualização dos números da pandemia.

Portugal registou mais seis mortes associadas à covid-19 e 401 novos casos confirmados de infeção nas últimas 24 horas, o que representa um aumento 0,7%, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde hoje divulgado.

Temos agora uma taxa de mortalidade de 3,2% e relativamente a doentes com mais de 70 anos [essa taxa é de] 15,4%”, adiantou também Jamila Madeira.

Em relação aos profissionais de saúde, já foram infetados 4.401, dos quais 3.821 já estão recuperados.

Quanto aos testes de despistagem à covid-19, Jamila Madeira avançou que desde o início da pandemia, em março, já foram realizados quase dois milhões de testes (1,992 milhões). Em agosto foram realizados, em média, 13,714 testes por dia.

“Perante todos os números de hoje não podemos descurar a segurança em nenhum momento, nem em casa, no trabalho ou em férias. Como a DGS costuma dizer, o vírus não vai de férias”, sublinhou.

Portugal registou mais seis mortes associadas à covid-19 e 401 novos casos confirmados de infeção nas últimas 24 horas, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) hoje divulgado.         

De acordo com os dados da DGS, desde o início da pandemia até hoje, registaram-se 57.074 casos de infeção e 1.815 mortes.

Manuela Micael / Atualizado às 15:50, com Lusa