"Se nós pudéssemos usar todos as máscaras mais potentes, todos as deveríamos usar. Não sendo isso possível, deveremos continuar a usar máscaras comunitárias de boa qualidade, com certificação, e máscaras cirúrgicas", de acordo com as circunstâncias, afirma Paulo Paixão, diretor da Sociedade Portuguesa de Virologia, perante as dúvidas que surgiram nos últimos dias sobre o tipo de máscaras mais eficazes contra as novas estirpes de coronavírus.

Enquanto países como a Alemanha, a França e a Áustria já proibiram o uso de máscaras de pano, em Portugal as autoridades de saúde ainda não alteraram as suas recomendações quanto ao uso de máscaras. No entanto, esta terça-feira, numa visita ao Hospital das Forças Armadas, o Presidente da República, o primeiro-ministro e a ministra da Saúde já não usaram as habituais máscaras comunitárias mas antes as FFP2, um tipo de máscara cirúrgica com filtro e portanto com uma maior capacidade proteção.

É natural que as máscaras com filtro, FFP2, são as que dão maior proteção, a seguir as máscaras cirúrgicas e depois, finalmente, as máscaras comunitárias", confirma Paulo Paixão. "A grande questão que se coloca a meu ver é: temos ou não capacidade para fornecer essas máscaras a toda a população?" 

 

Este especialista recorda que tanto as FFP2 quanto as cirúrgicas são máscaras de uso único, portanto, seriam necessárias milhões de máscaras por dia, só em Portugal. "E não havendo essa capacidade é preciso garantir que essas máscaras estão reservadas para as pessoas de alto risco, nomeadamente os profissionais de saúde". Este médico admite que mesmo na sua atividade hospitalar não usa máscaras FFP2 se não estiver em contacto com doentes de alto risco, usa normalmente uma máscara cirúrgica.

É evidente que uma máscara que oferece uma maior proteção é mais desejável mas até ao momento não vi ainda evidência que esta variante [do coronavírus] se transmita mais facilmente com uma boa máscara comunitária do que com uma máscara cirúrgica", sublinha Paulo Paixão. 

 

No entanto, se todos os problemas logísticos estivessem ultrapassados, relativamente à quantidade e ao preço das máscaras FFP2, então este especialista não tem dúvidas de que esta seria a melhor resposta.

Finalmente, Paulo Paixão espera que os políticos, uma vez que usam máscaras FFP2 em situações de baixo risco, sejam depois coerentes com as medidas que tomam. 

Maria João Caetano