A capacidade de acolhimento da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) vai esgotar até ao final do ano. O presidente do organismo, Rui Marques, apela a que mais instituições anfitriãs se ofereçam com vista a duplicar a oferta. 

Em declarações à agência Lusa, por ocasião da realização da assembleia geral da PAR, que decorre hoje, em Lisboa, assumiu que depois de um ano de trabalho muito positivo, há ainda muitos desafios pela frente.

Dentro de um mês, aproximadamente, pelos nossos cálculos, a capacidade da PAR estará esgotada. [A PAR] precisa aumentar a sua capacidade de acolhimento, procurando incentivar e mobilizar mais pessoas e instituições para acolher e integrar refugiados".

Segundo um balanço da Comissão Europeia, Portugal recebeu até ao final de setembro 555 refugiados no âmbito do programa de recolocação de pessoas que estão em campos na Grécia (372) e Itália (183).

Um ano de PAR

Já com um ano de funcionamento, a PAR tem uma rede de colaboração entre 350 instituições da sociedade civil, incluindo não só instituições do setor social, mas também empresas, fundações, universidades ou municípios.

De acordo com Rui Marques, através do programa PAR Famílias, definido especificamente para acolher famílias de refugiados acolhidas em Portugal, foram envolvidas 104 instituições anfitriãs, com capacidade para acolher 135 agregados familiares, o que se traduz em cerca de 700 pessoas refugiadas.

Destas 135 famílias que podemos acolher, já acolhemos 65 famílias, o quer dizer que estamos mais ou menos a meio da nossa capacidade de acolhimento. E esperamos nos próximos tempos vir a acolher mais 40 famílias"

Razão pela qual Rui Marques entende que o principal desafio da PAR está em conseguir aumentar a capacidade de acolhimento de famílias de refugiados, desafio que será apresentado durante a realização da assembleia geral.

A forma mais efetiva de ser solidário é poder fazer nascer mais capacidade de acolhimento para os refugiados que estão nesta altura em campos, particularmente na Grécia, com condições muito adversas, com o inverno a chegar, com chuva e frio"

Segundo Rui Marques, depois de um período inicial, em que a disponibilidade por parte das instituições surgiu espontaneamente "e com grande entusiasmo", enquanto a chegada dos refugiados "foi tardando", hoje a situação inverteu-se e a chegada de famílias faz-se a um ritmo "significativo", enquanto capacidade de acolhimento está quase esgotada.

Muitos à espera

O número de pessoas "à espera é muito significativo". Daí a vontade da PAR em duplicar a sua oferta durante os próximos meses e conseguindo, assim, acolher 270 famílias.

Para isso, pelas contas do responsável, será necessário que mais 120 ou 130 instituições se ofereçam para receber estas pessoas.

No que diz respeito à integração das famílias refugiadas, Rui Marques apontou que este trabalho "é sempre um desafio em qualquer parte do mundo", quer pelos próprios refugiados, quer pelas instituições de acolhimento que têm de se adaptar a esta nova realidade.

A principal dificuldade tem sido a aprendizagem do português, já que os refugiados que chegam não têm uma língua comum, defendendo, por isso, uma intervenção prioritária nesta matéria.

O presidente da PAR aproveitou ainda para lembrar que, no decorrer deste ano de trabalho, houve 50 voluntários portugueses em campos e centros de refugiados na Grécia, foram recolhidos 230 mil euros para ajudar os refugiados no Líbano, além da campanha nas escolas, "E se fosse eu?", que envolveu 700 estabelecimentos de ensino e 150 mil crianças e jovens.

Redação / VC