O acesso ao emprego é um dos obstáculos à integração social da comunidade cigana, alertou hoje a subcomissão parlamentar para a Igualdade e não Discriminação, defendendo medidas políticas que contrariem essa dificuldade.

O emprego dos cidadãos de etnia cigana “é uma questão complicada”, disse aos jornalistas, em Coimbra, a deputada do PS Catarina Marcelino, na qualidade de relatora de um levantamento sobre o racismo em Portugal, que deverá ser entregue na Assembleia da República (AR) até julho.

Na sua opinião, “é preciso ter estratégias” para que a situação seja melhorada”, num país onde “há um grande investimento na formação profissional”, a qual, contudo, “nem sempre é adequada” a esta e outras minorias da sociedade portuguesa.

Não há programas e projetos que promovam a empregabilidade”, preconizou a socialista, falando em representação de um grupo de deputados que incluía também José Manuel Pureza (BE), Ana Oliveira (PSD) e Elza Pais (PS), todos eleitos pelo círculo de Coimbra.

Para Catarina Marcelino, “é preciso investir numa estratégia com o tecido empresarial” para vencer os atuais constrangimentos no acesso dos cidadãos ciganos ao mundo do trabalho.

Importa “encontrar caminhos específicos para esta comunidade” no domínio do emprego em Portugal, defendeu.

Na sequência de uma proposta do PS aprovada pelo parlamento, por unanimidade, a fim de conceber um relatório sobre racismo, xenofobia e discriminação étnico-racial, os membros da Subcomissão para a Igualdade e não Discriminação visitaram o Centro de Estágio Habitacional de Coimbra, uma infraestrutura da Câmara Municipal onde vivem várias famílias ciganas.

A relatora do documento, que estará concluído ainda durante a presente sessão legislativa, até finais de julho, frisou que o emprego, a habitação e a educação “são a chave” para a integração dos cerca de 40 a 50 mil ciganos em Portugal, cuja população total é ligeiramente superior a 10 milhões.

O grande objetivo do relatório é apontar caminhos”, para combater o racismo, a xenofobia e a discriminação étnico-racial, disse Catarina Marcelino aos jornalistas.

Para a deputada, os resultados do levantamento que está a ser efetuado pelo parlamento nesta área, com diversas visitas e audições, pode depois pesar, igualmente, nos programas eleitorais dos diferentes partidos que disputam este ano as eleições legislativas.