O segundo filho da cantora Blaya, Theo, nasceu no domingo num parto completamente natural, realizado em casa com a ajuda de uma parteira, de uma doula (acompanha a grávida durante o trabalho de parto) e do pai do bebé. Blaya colocou algumas fotos e vídeos nas redes sociais e contou como tudo aconteceu: "Uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na minha vida! A mulher é mesmo algo mágico… não sei onde arranjei forças para conseguir chegar até ao fim", comentou.

Numa das stories do Instagram, a cantora e bailarina dá mais pormenores: "Nas consultas com a parteira foi-me sugerido beber um batido de frutos vermelhos e um pouco de placenta. Eu fiquei muito de pé atrás e achei muito estranho, mas ontem quando me voltaram a perguntar não tive dúvidas e aceitei".

A imagem mostra um copo com um líquido avermelhado e a publicação direciona quem queira saber mais sobre os benefícios de beber a placenta após o parto para o site "The Green Post", dedicado a uma forma mais sustentável de vida, com sugestões na área do ambiente, moda, energia, saúde e outras áreas.

O artigo elenca oito benefícios da placentofagia, entre os quais o facto de ajudar na recuperação do corpo da mãe após o parto, contribuindo para reduzir os sangramentos, a regulação hormonal (prevenindo assim a depressão pós-parto), facilitar a produção de leite e uma série de outros benefícios para o organismo da mulher, sobretudo por ser alegadamente um fonte de ferro.

No entanto, o artigo não tem qualquer referência científica. Nem poderia.

Existe, de facto, essa ideia, de que a placenta, porque tem sangue e, por isso, é rica em ferro, poderia ajudar a repor os défices de ferro após o parto, evitando a anemia, a fadiga e até a depressão", explica à TVI24 a obstetra Irina Ramilo. "No entanto, não existe qualquer evidência médica de que isso aconteça", afirma.

A médica dos Hospital Lusíadas refere um artigo de 2017, publicado no "American Journal of Obstetrics & Gynecology", onde se analizavam investigações sobre o tema, concluindo que "não existe nenhuma evidência científica dos benefícios clínicos da placentofagia humana". 

"Analisado o grupo de grávidas que tomou a placenta e o grupo que tomou placebo, não se verificaram quaisquer alterações hormonais ou nutricionais", explica.

Não havendo evidência médica de benefícios, o meu conselho seria para não ingerir a placenta, até porque a sua função durante a gravidez é de servir como um filtro, podendo inclusivamente ter alguns organismos que possam ser prejudiciais", afirma a médica.

No entanto, Irina Ramilo, que acompanha com todo o interesse todos os debates em torno de uma maior humanização de parto e que está aberta a todas as possibilidades que possam melhorar a experiência, em segurança, das grávidas, garante que nunca nenhuma paciente a abordou sobre a possibilidade de realizar placentofagia.

"De vez em quando fala-se nisso. Hoje mesmo uma paciente falou comigo por causa da Blaya e também se falou quando a Jéssica Athayde tomou uns comprimidos feitos com a placenta. Mas, na verdade, nunca tive nenhum caso."

"Se as mulheres estão preocupadas com o défice de ferro ou outro nutriente no pós-parto, o meu conselho como médica seria para adotar outras soluções", garante.

Blaya publicou também um vídeo onde aparece a chorar e segurando o seu bebé recém-nascido. Na legenda, explica porque decidiu ter o parto em casa: "Quando decidimos que queremos ter um parto em casa, temos que ter consciência que queremos mesmo! Que não é uma coisa superficial. Não é barato! E temos que nos informar de tudo muito bem. Convém procurar uma doula e uma parteira/enfermeira. Pessoas que vais criar uma ligação, e durante a gestação elas vão acompanhar-te." Nos comentários, a cantora propõe-se esclarecer as dúvidas que as pessoas tenham sobre este tipo de parto, defendendo sempre o respeito pelo corpo de cada mulher.

Maria João Caetano